A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master ganhou um componente explosivo, porque deixou de mirar apenas a engrenagem financeira e passou a tocar no “andar de cima” da política. Segundo relatos de investigadores, o material apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero trouxe menções a lideranças partidárias e autoridades com foro especial, o que obriga a tramitação dessa frente no STF e pode abrir uma nova camada de apurações paralelas.
O caso nasceu com foco na fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado e na tentativa de negociação de venda para o BRB. A PF chegou a esse ponto após a Justiça Federal autorizar a primeira fase da operação no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Master, em 18/11/2025. A partir dali, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o celular de Daniel Vorcaro, nome central do inquérito.
Só que, no material coletado, os investigadores dizem ter encontrado “vários achados” com referências a políticos, sem relação direta com o núcleo específico que discute carteiras e a negociação BRB–Master. Na prática, isso cria um desmembramento natural: a fraude principal pode caminhar para a 1ª instância, enquanto a trilha que envolve autoridades com foro mantém supervisão do Supremo, com abertura de novos procedimentos e análise própria.
A segunda fase da Compliance Zero reforçou esse desenho. A PF deflagrou a etapa em 14/01/2026 e declarou que investiga crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais, além de suspeitas ligadas ao uso de fundos administrados pela gestora Reag para desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs.
Foi nessa virada que o caso migrou com força para o STF. A defesa de Vorcaro alegou referência a um parlamentar com foro, o que levou o ministro Dias Toffoli a assumir a relatoria e, a partir daí, a investigação passou a conviver com um problema clássico de Brasília: mais sigilo, mais pressão e mais disputa de narrativa. A própria imprensa registrou que ministros discutem remeter parte do caso ao primeiro grau para reduzir desgaste do tribunal, mas a presença de autoridades citadas no material tende a puxar o processo de volta para a esfera do Supremo.
É aqui que o “fato político” explode. Investigadores relatam que Vorcaro construiu influência em Brasília com rede de aliados e encontros de alto nível, e parte do meio político teme que a PF revele relações pessoais e financeiras com o banqueiro. Essa leitura criou, nos bastidores, a comparação com uma nova “Lava Jato” em termos de alcance, não por identidade de crimes, mas pela possibilidade de a apuração atingir diferentes partidos e abrir uma reação para “abafar” o inquérito.
Do ponto de vista jurídico, o caminho fica claro e duro: quando o material menciona autoridades com foro, o STF concentra a supervisão e autoriza diligências sensíveis, enquanto a 1ª instância pode tocar a parte “técnica” já amadurecida, com relatório final, indiciamentos e responsabilização dos principais suspeitos do núcleo financeiro. Em outras palavras, o inquérito pode virar dois, um para fechar a fraude em ritmo rápido e outro para testar a extensão do rastro político.
Daniel Vorcaro, por sua vez, tentou reduzir o peso dessa narrativa. Em depoimento, ele minimizou conexões e argumentou que, se tivesse de fato tanta ajuda política, não teria enfrentado bloqueios, tornozeleira e o fracasso de negociações. A fala mira a opinião pública e tenta desmontar a imagem de que o caso tem proteção, mas não anula o ponto principal: a PF diz que os indícios existem e agora precisa separar “referência” de “participação”, para definir se houve envolvimento ou apenas citação lateral.
O que vem pela frente tende a ser uma disputa dupla. Na ponta penal, a PF fecha o relatório do núcleo do consignado e dos fundos, com foco em materialidade e autoria. No topo político, a apuração vai depender de validação de provas, cruzamento de dados e autorização do Supremo para avançar sem ruído institucional. E é justamente por isso que o caso voltou ao centro do debate nacional: quando a investigação sobe para o STF, ela deixa de ser apenas polícia e vira teste de poder.
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