A deputada estadual da ALMG, Lohanna França, em um vídeo postado em suas redes sociais fez uma analogia entre o Holocausto e o massacre do povo judeu para sustentar uma tese central, de que atrocidades não surgem de uma hora para outra, elas avançam quando discursos de ódio viram rotinas e passam a ser tratado como “piada”, “opinião” ou “exagero”. Ela afirmou que o nazismo não apareceu com câmaras de gás já funcionando do dia para a noite, e que o primeiro passo foi a construção simbólica do inimigo, com boicotes, estigmas e exclusões, até o ponto em que o absurdo da perseguição ao judeus já parecia normal.
Na mesma linha, Lohanna puxou um paralelo com a violência doméstica para explicar o que chama de escalada. Segundo ela, ninguém começa “tentando matar” no primeiro dia, e o ciclo costuma iniciar com gritos, intimidação e testes de limite, para ver até onde consegue chegar. A deputada afirmou que esse raciocínio vale também para a política, porque a sociedade não pode naturalizar agressões verbais vindas de autoridades, principalmente quando há disparidade de poder e a vítima não tem os mesmos instrumentos para reagir.
O trecho que gerou mais repercussão em Divinópolis veio quando a parlamentar citou exemplos de lideranças públicas e cravou que esse tipo de ambiente produz “símbolos muito claros do neonazismo”, mesmo sem suástica. No rol, ela incluiu o caso de “um prefeito de uma cidade” que, segundo ela, incitou ódio publicamente contra um servidor da educação aposentado, apontando que a única “falta” do servidor teria sido discordar do chefe do Executivo.
O contexto dessa fala se conecta a um vídeo em que o prefeito de Divinópolis comenta a eleição interna do COMED, Conselho Municipal de Educação. No registro, ele se dirige a um servidor identificado como “Zeleno” e usa expressões como “pega o seu banquinho” e “saia vazado”, além de rotulá-lo como “militante do Partido das Trevas”. O prefeito também associa o servidor a pautas políticas e acusações ideológicas, mencionando “ideologia de gênero”, “marcha da maconha” e militância em favor de líderes estrangeiros, em uma crítica direta e com tom de confronto.
Ainda no vídeo, o prefeito diz que “Zeleno” era presidente do COMED e que perdeu a eleição, classificando o resultado como “vitória da educação”. Ele afirma que o conselho tem peso para “avançar” ou “travar” políticas públicas e cita como exemplo a discussão sobre escolas cívico-militares, dizendo que havia resistência. Em seguida, ele dá boas-vindas ao novo presidente, professor Otávio, e volta a ironizar o servidor aposentado, sugerindo que ele “vá pra Cuba descansar”.
O ponto de fricção, portanto, não está apenas no conteúdo político do debate, mas no método e na linguagem. De um lado, o prefeito sustenta que combate “militância” dentro de um órgão ligado à educação e celebra a troca de comando como mudança de rumo. Do outro, a deputada diz que esse tipo de exposição pública, com adjetivações e incitação ao ridículo, cria um ambiente que normaliza hostilidade e abre espaço para práticas mais graves, porque o limite vai sendo empurrado pouco a pouco.
Ao colocar Holocausto e discurso político no mesmo raciocínio, Lohanna não disse que Divinópolis vive nazismo, e sim que enxerga sinais de uma cultura de desumanização e intimidação quando autoridades transformam adversários em alvo, rótulo e escárnio. O alerta dela é sobre o caminho, não sobre a chegada, e o recado é que sociedade e instituições precisam reagir antes que a escalada vire rotina incontestável.
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