Um trecho de uma homilia celebrada no Santuário Nacional de Aparecida (SP) ganhou ampla repercussão nas redes sociais nesta semana depois que o padre Ferdinando Marcílio fez duras críticas a políticos e a pessoas que se declaram cristãs, mas que, segundo ele, apoiam pautas como o armamento e não demonstram compromisso com os mais pobres e vulneráveis.
A fala do sacerdote aconteceu durante uma missa na Basílica no último domingo, 25 de janeiro, e se tornou viral após vídeos do momento serem amplamente compartilhados por usuários no final de semana.
Críticas a caminhada e ao uso político da fé
Durante a homilia, Marcílio fez referência à **caminhada promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que percorreu mais de 200 quilômetros de Paracatu (MG) até Brasília (DF) em protesto contra o governo federal e pautas do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sem citar nomes diretamente, o padre afirmou que não vê coerência em “uma marcha para Brasília” de quem, na opinião dele, “nunca teve nenhum projeto a favor do povo” e ainda tenta “defender a vida”, quando, para ele, a intenção estaria mais ligada à busca por poder político do que a causas sociais.
“Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo e dizer que está defendendo a vida. Mentira. Quer o poder”, disse o sacerdote em um trecho do sermão que viralizou.
Fala sobre armas e fé cristã
Na mesma homilia, o padre também abordou a contradição de pessoas que se dizem cristãs, mas defendem o armamento da população. Para Marcílio, não há compatibilidade entre a fé em Jesus Cristo e o apoio a pautas que incentivam a violência.
“‘Padre, eu sou cristão’, me disse uma pessoa aqui no santuário. ‘Mas eu sou a favor das armas’. Não tem jeito, é impossível. A arma só tem uma finalidade: ferir e matar”, afirmou o sacerdote, ressaltando que a vivência cristã, para ele, exige compromisso com a defesa da vida e da justiça social.
Crítica ao uso político da religião
Marcílio também criticou o que chamou de uso político da fé cristã para fins de projeção política. Sem citar diretamente setores ou partidos, ele afirmou que instrumentalizar a religião para conquistar apoio ou poder político é incompatível com os ensinamentos cristãos de atenção concreta aos necessitados, aos pobres e às vítimas de injustiças sociais.
A celebração foi transmitida ao vivo pelo portal A12, ligado à TV Aparecida, o que contribuiu para a circulação rápida do vídeo nas plataformas digitais, gerando debates e reações nos perfis de usuários, influenciadores e políticos de diferentes espectros.
Repercussão nas redes sociais
A repercussão dividiu opiniões nas redes sociais. Por um lado, há quem elogie o padre por sua postura crítica e pelo foco nos ensinamentos de justiça social e defesa da vida. Por outro, há figuras e apoiadores de setores políticos que consideram a fala excessiva e inadequada para uma homilia religiosa, argumentando que a igreja deve manter neutralidade em temas políticos e partidários.
Alguns comentaristas destacaram que a crítica envolve a compatibilidade entre fé e pautas públicas, enquanto outros disseram que o uso do púlpito para comentar sobre marchas e pautas sociais representa uma mistura indevida de religião e política.
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