Deltan Dallagnol participou do The Send Brasil e conduziu uma oração em um estádio, em Curitiba, no sábado (31) – O evento reuniu público em cinco capitais no mesmo dia, com programação voltada à mobilização cristã, especialmente de jovens – A organização apresenta o The Send como um movimento que busca incentivar ações práticas ligadas à “Grande Comissão”, com frentes em escolas, universidades e missões.
Durante a participação, Dallagnol fez pedidos religiosos em voz alta, em tom de clamor e transformação, diante de milhares de pessoas. A aparição ganhou peso político porque Dallagnol perdeu o mandato de deputado federal em 2023, após decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral.
O TSE cassou o registro de candidatura e determinou a recontagem dos votos para a legenda, ao aplicar entendimento ligado à Lei da Ficha Limpa. No julgamento, o tribunal considerou a saída do Ministério Público em contexto de processos disciplinares, ponto que gerou debate jurídico e político.
Antes da carreira eleitoral, Dallagnol atuou como procurador e coordenou a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, no auge das investigações. A trajetória também carrega controvérsias que voltaram ao debate público após vazamentos de mensagens atribuídas a integrantes da operação, no caso conhecido como Vaza Jato.
As conversas divulgadas indicaram interlocução indevida entre acusação e magistrado, com menções a sugestões e orientações sobre rumos de casos. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal declarou Sergio Moro suspeito no processo do triplex envolvendo Lula, ao apontar parcialidade naquele caso específico.
A disputa sobre a Lava Jato também ganhou novo capítulo em 2024, quando relatório ligado ao Conselho Nacional de Justiça apontou hipótese de irregularidades envolvendo recursos. Segundo esse material, haveria indícios de articulação para direcionar cerca de R$ 2,5 bilhões ligados a acordo da Petrobras para uma estrutura privada, tema que chegou ao STF e à PGR.
O relatório citou Sergio Moro, Dallagnol e outros nomes, em contexto de apuração administrativa e encaminhamentos para análise de órgãos competentes. Dallagnol reagiu publicamente e negou irregularidades, ao classificar o relatório como “obra de ficção”, segundo registro de declarações à imprensa.
Nesse cenário, atos religiosos com forte presença pública passaram a funcionar como vitrine de mobilização, sobretudo em campos conservadores. Lideranças e parlamentares buscam proximidade com o eleitorado evangélico, e a oração pública virou um símbolo recorrente em agendas e eventos.
Entre os nomes mais associados a essa presença política em atos e convocações, o pastor Silas Malafaia aparece como figura influente no bolsonarismo e em mobilizações de rua. A participação de Dallagnol no The Send, portanto, conectou religião, mobilização de massa e um histórico judicial que segue em disputa no debate público.
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