O retorno da vereadora Kell Silva à Câmara Municipal de Divinópolis, nesta terça-feira (04), foi marcado por simbolismo, emoção e resultados concretos. Na primeira reunião do segundo ano da atual legislatura, a parlamentar reassumiu o mandato após o período de licença-maternidade e já iniciou os trabalhos com a aprovação de um projeto de lei de forte impacto social, que conecta cultura, educação e valorização da identidade local.
A entrevista foi concedida durante essa primeira sessão do ano legislativo, momento que também simbolizou a retomada plena das atividades parlamentares em 2026. Para Kell, o retorno não representou apenas a continuidade de um mandato, mas também um gesto político carregado de significado para a presença feminina nos espaços de poder.
Projeto une cultura e educação e fortalece identidade local
O projeto aprovado estabelece que produções culturais realizadas em Divinópolis, como documentários, filmes, espetáculos teatrais e obras musicais, passem a ser exibidas e trabalhadas dentro das escolas, por força de lei. A proposta busca democratizar o acesso à cultura e, ao mesmo tempo, valorizar os produtores culturais da cidade, frequentemente invisibilizados fora dos circuitos tradicionais.
Segundo a vereadora, a cultura local sempre existiu de forma pulsante, mas permanecia distante da população em geral. “Divinópolis é um celeiro cultural incrível, com muitos produtores talentosos. No entanto, esse conteúdo nem sempre chega às pessoas, especialmente às crianças e adolescentes”, afirmou.
Com a nova legislação, escolas passam a atuar como pontes entre a produção cultural e a formação educacional, garantindo que estudantes conheçam, desde cedo, a história, as narrativas e as expressões artísticas da própria cidade. Para Kell, o projeto representa um avanço simultâneo em duas áreas estratégicas. “A educação ganha conteúdo vivo, e a cultura ganha reconhecimento e continuidade”, destacou.
Valorização dos artistas e democratização do acesso
A parlamentar ressaltou que a proposta também rompe com a ideia de que cultura é algo elitizado ou inacessível. Ao levar a produção artística para dentro das escolas públicas, o município amplia o acesso e fortalece o sentimento de pertencimento coletivo.
“A gente faz com que esse sentimento cultural não morra. Pelo contrário, ele continua fluindo, agora também através da educação”, explicou. Para os produtores culturais, o projeto representa reconhecimento institucional e incentivo à continuidade do trabalho artístico em Divinópolis.
Creches, trabalho e autonomia feminina entram no debate
Além da pauta cultural, Kell Silva utilizou o retorno ao plenário para recolocar no centro do debate a situação das creches municipais, especialmente o atendimento a crianças de zero ano. Segundo ela, Divinópolis integra um grupo expressivo de municípios mineiros que ainda não cumprem plenamente a legislação federal sobre a oferta de vagas nessa faixa etária.
Para a vereadora, a ausência de vagas não é apenas um problema educacional, mas uma questão estrutural que afeta diretamente a vida das mulheres. “Quando a mulher não consegue voltar ao trabalho porque não tem onde deixar o filho, toda a cadeia produtiva sofre impacto”, afirmou.
Ela destacou que investir em creches significa garantir dignidade às mães, desenvolvimento adequado às crianças e fortalecimento da economia local. “Não estamos falando apenas de um espaço físico. Estamos falando de cuidado, preparo técnico e oportunidade”, reforçou.
Maternidade como ato político
Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, Kell falou sobre os desafios de ser mulher e mãe na política. Ela revelou que sentiu medo ao descobrir a gravidez, principalmente diante dos ataques que mulheres costumam sofrer quando ocupam cargos públicos.
Apesar disso, decidiu seguir em frente. “Se eu desistisse, que exemplo eu daria para minha filha?”, questionou. Para a vereadora, ocupar o espaço político enquanto mãe é também uma forma de abrir caminhos para outras mulheres e naturalizar a maternidade nos ambientes de poder.
Kell defendeu ainda que o Legislativo deve ser um espaço plural, inclusive para crianças. “Tudo é político, inclusive a maternidade. A criança também tem direito de se reconhecer nesse espaço”, afirmou.
Um retorno que projeta o restante da legislatura
O início do segundo ano legislativo com a aprovação de um projeto relevante e com pautas sociais em destaque sinaliza o tom que Kell Silva pretende adotar ao longo de 2026: políticas públicas com impacto direto na vida das pessoas, atenção às mulheres, fortalecimento da cultura e compromisso com a educação.
O retorno da vereadora não apenas marca a retomada de um mandato, mas também reafirma o debate sobre representatividade, maternidade e igualdade de oportunidades dentro da política municipal.
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