Servidores do Samu no Centro-Oeste mineiro relataram atraso de salários e de depósitos do FGTS e afirmaram, sob anonimato, que convivem com insegurança financeira e receio de retaliações. As queixas chegaram à reportagem em meio à cobrança por regularização imediata dos pagamentos e por maior previsibilidade no calendário de repasses.
Procurada pelo Divinews, a administração do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Oeste, CIS-URG Oeste, confirmou os atrasos. O secretário-executivo José Márcio Zanardi disse que o problema não decorre de omissão administrativa do consórcio, mas de atraso em transferências previstas em contratos com o Estado de Minas Gerais e com municípios consorciados.
Em nota, a Secretaria Executiva do CIS-URG informou que adota medidas diárias de cobrança junto aos gestores municipais e mantém tratativas permanentes com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais para destravar os recursos pendentes. O consórcio sustenta que só consegue efetuar pagamentos após a entrada efetiva dos valores contratados, observando legalidade e responsabilidade fiscal.
Segundo Zanardi, o quadro de inadimplência municipal chegou a 50 municípios, com movimento recente de regularização parcial. Ele afirmou ainda que janeiro costuma pressionar mais o caixa das prefeituras, cenário que impacta diretamente o fluxo financeiro do consórcio no início do ano.
De acordo com os números apresentados pela direção do CIS-URG, os débitos municipais somam cerca de R$ 1,8 milhão. Além disso, o Estado teria valores retidos em torno de R$ 4,5 milhões, montante que inclui aproximadamente R$ 1,4 milhão de origem federal. A combinação desses atrasos, segundo o consórcio, explica a dificuldade para cumprir integralmente a folha e obrigações trabalhistas no prazo habitual.
Na manhã desta terça-feira (10), durante a agenda pública de entrega das obras do Hospital Regional de Divinópolis à UFSJ, Zanardi disse que cobrou prefeitos integrantes do consórcio para liquidação dos débitos e também tratou do tema com o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, pedindo celeridade na liberação dos recursos.
A direção do CIS-URG também rebateu uma interpretação que circula entre parte dos colaboradores, de que o atraso estaria ligado à administração da UPA pelo consórcio. Segundo Zanardi, as fontes de financiamento são distintas, com contabilidades independentes, e um contrato não pode cobrir obrigações do outro.
Mesmo com a previsão oficial de normalização até sexta-feira, a situação acendeu alerta entre os trabalhadores do Samu, que cobram solução definitiva para evitar recorrência do problema em meses seguintes. A crise atual expõe a dependência estrutural do serviço de urgência em relação à pontualidade dos repasses e recoloca no centro do debate a sustentabilidade financeira do atendimento pré-hospitalar regional.
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