A decisão da administração municipal de Divinópolis de recapear o entorno da Praça da Catedral, em tese uma intervenção pontual, virou um problema de escala urbana. O que deveria ser serviço localizado transbordou para várias regiões da cidade, após uma estratégia de interdição que, segundo relatos de motoristas e comerciantes, fechou mais ruas do que o indispensável para a execução da obra.
Na prática, o município criou um efeito dominó no tráfego. Em vez de conter o impacto no perímetro imediato da praça, a operação deslocou filas e retenções para eixos alternativos e pressionou bairros que não tinham relação direta com o recape. Moradores relatam reflexos em rotas de Nitéroi, Bom Pastor e outras áreas, com aumento do tempo de deslocamento, atrasos e perda de produtividade no comércio local.
O ponto mais criticado foi a lógica de bloqueio. Condutores afirmam que barreiras foram posicionadas em trechos sem necessidade operacional imediata, reduzindo opções de desvio e empurrando grande volume de veículos para poucos corredores. O resultado foi previsível, gargalos em sequência, cruzamentos saturados e sensação de cidade paralisada em horários de pico.
A crítica que ganhou força nas ruas é direta, faltou planejamento técnico de fluxo. Em operações desse tipo, a regra básica é manter o máximo de permeabilidade viária possível, com interdições por etapa, janelas de horário e rotas de escape bem sinalizadas. Quando a administração amplia o fechamento sem calibrar capacidade de absorção das vias alternativas, o custo recai sobre toda a cidade.
Além do trânsito, a obra abriu outro flanco político. Moradores das imediações apontam que o asfalto da região central não aparentava nível de deterioração compatível com urgência absoluta de recape amplo, enquanto bairros periféricos seguem com demandas históricas por pavimentação e manutenção básica. A comparação alimenta a percepção de prioridade invertida, centro atendido com rapidez, periferia esperando há anos por soluções estruturais.
Esse contraste pesa porque não se trata apenas de obra, trata-se de critério de investimento. Quando ruas com desgaste administrável recebem intervenção imediata e vias sem asfalto ou com buracos críticos continuam no fim da fila, cresce a leitura de desigualdade territorial na aplicação de recursos públicos.
No balanço político e administrativo, a prefeitura transformou uma ação de manutenção em crise de mobilidade e imagem. A execução pode até ser defendida como necessária, mas o método adotado cobrou um preço alto da população. Sem plano de tráfego robusto, comunicação clara e interdições cirúrgicas, o município empurrou para o cidadão o ônus da improvisação.
A cobrança agora é objetiva. A cidade espera revisão urgente do esquema viário, abertura gradual de trechos bloqueados sem necessidade imediata, reforço de agentes em pontos críticos e transparência sobre os critérios técnicos que justificaram o desenho da operação. Sem isso, o recape da Catedral seguirá como símbolo de um problema maior, obra certa, gestão errada.
Há comentários na vizinhança, de que, o lado bom de todo esse caos, é que os futuros moradores de um imponente prédio recém construido na rua lateral à Praça, poderão usufruir de um asfalto novinho em folha, já que as coberturas o valor do imóvel seria em torno de R$ 2 milhões.
O post Recape na Praça da Catedral vira caos no trânsito e expõe falha grave de planejamento da Settrans apareceu primeiro em DiviNews.