A liberdade de uma adolescente de 12 anos foi conquistada através da escrita. Em um gesto de puro desespero e coragem, a menina redigiu uma carta pedindo socorro e a entregou a uma colega de escola, colocando fim a um dos casos mais bárbaros de exploração sexual e tortura registrados recentemente em Minas Gerais. O crime, que ocorria na pacata cidade de Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro, envolveu a participação direta da mãe da vítima e um empresário local.
O flagrante na sexta-feira (24)
O ciclo de horror começou a desmoronar na sexta-feira (24) de janeiro, quando a Polícia Militar, acionada via Conselho Tutelar após a leitura da carta, montou uma operação de resgate. Os militares se deslocaram até uma chácara na região do “Beira Lago”, zona rural de Estrela do Sul. No local, a cena chocou a guarnição: um empresário de 57 anos foi flagrado nu em um quarto com a criança, que estava em visível estado de choque.
Enquanto a filha era submetida a atos de extrema violência no interior da residência, a mãe, de 36 anos, demonstrava uma indiferença perturbadora. Testemunhas e policiais relataram que ela aproveitava a piscina da propriedade tranquilamente enquanto os abusos aconteciam. Após o flagrante, o homem foi detido imediatamente. No dia seguinte, sábado (25) de janeiro, a prisão da mãe também foi efetivada, consolidando o início da fase judicial do caso.
Dopagem e métodos de tortura física
O inquérito, detalhado pelo delegado Eduardo Placheski Trepiche nesta sexta-feira (13), revelou que a adolescente vivia sob um regime de tortura sistemática. Para garantir que a menina não oferecesse resistência e para “facilitar” o trabalho do abusador, a mãe administrava medicamentos controlados, especificamente o Clonazepam, mantendo a criança em estado de dopagem constante antes de cada encontro.
Além do uso de substâncias químicas, a investigação comprovou o uso de métodos físicos cruéis para tentar mascarar o crime. A mãe aplicava pomadas anestésicas nas partes íntimas da criança para diminuir a dor causada pelas agressões. Quando havia qualquer sinal de desobediência ou tentativa de revelação do segredo, a vítima era agredida com fios e sofria ameaças de morte constantes da própria genitora.
Indiciamento e punições previstas
Com a conclusão dos trabalhos investigativos apresentada nesta sexta-feira (13), ambos os envolvidos foram formalmente indiciados. O empresário responderá pelo crime de estupro de vulnerável de forma reiterada, com agravantes pela idade da vítima. A mãe enfrenta acusações que somam favorecimento à prostituição de vulnerável, tortura, corrupção de menores e cárcere privado psicológico.
Atualmente, a mulher permanece custodiada no Presídio Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia. O empresário segue detido no Presídio de Araguari. A Polícia Civil enfatizou que a interrupção desse ciclo de violência foi vital para preservar a vida da adolescente, que agora recebe acompanhamento especializado da rede de proteção ao menor do Estado para tentar superar os traumas físicos e mentais.