A abertura dos desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, ocorrida na noite deste domingo (15), foi marcada por uma forte carga política e debates jurídicos. A escola de samba Acadêmicos de Niterói, estreante na elite do Carnaval carioca após o acesso no último ano, levou para a Sapucaí o enredo intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A apresentação, que celebrou a trajetória do atual presidente, incluiu críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, gerando reações imediatas tanto na esfera política quanto no Poder Judiciário.
Alegoria polêmica e a reação de Michelle Bolsonaro
O ponto de maior tensão do desfile ocorreu em uma das alegorias, onde uma figura caracterizada como o “palhaço Bozo” foi exibida atrás de grades, utilizando uma tornozeleira eletrônica com sinais de violação. A imagem faz uma referência direta a episódios jurídicos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, especificamente ao evento de novembro do ano passado que resultou em desdobramentos sobre sua liberdade restritiva.
A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL), utilizou suas redes sociais ainda na noite de domingo para manifestar indignação. Em uma publicação no Instagram, Michelle rebateu a representação artística com uma afirmação direta sobre o histórico judicial do atual presidente: “Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”, escreveu ela, reforçando a polarização que o desfile despertou.
O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Além das notas que receberá dos jurados da Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) na próxima quarta-feira (18), a Acadêmicos de Niterói enfrentará um julgamento de natureza jurídica. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá analisar se o desfile configurou propaganda eleitoral antecipada, uma vez que o ano de 2026 é um ano de eleições gerais.
Anteriormente, na quinta-feira (12), o tribunal já havia sido provocado a se manifestar sobre a proibição do desfile. Na ocasião, os ministros entenderam que impedir a escola de entrar na avenida configuraria censura prévia, argumentando que o Judiciário não poderia julgar um suposto ilícito antes que ele ocorresse. No entanto, com a realização do evento, o processo continua tramitando e a escola poderá sofrer sanções ou condenações caso a Justiça Eleitoral interprete que houve abuso da liberdade de expressão com fins de propaganda política.
O enredo e a proposta da escola
A agremiação de Niterói defendeu sua escolha temática como uma homenagem às raízes trabalhistas e à história de superação do presidente Lula, utilizando a simbologia do “Mulungu” árvore que resiste a períodos de seca — para ilustrar a trajetória do operário que chegou ao Palácio do Planalto.
Apesar da defesa artística da escola, que alega exercer seu direito constitucional de crítica e livre manifestação cultural, a repercussão negativa entre parlamentares da oposição e a vigilância do TSE colocam o desfile da Acadêmicos de Niterói como um dos episódios mais controversos deste Carnaval. O resultado da apuração das notas da LIESA e o desfecho do processo no TSE serão acompanhados de perto nos próximos dias.
O post Grades para o “Bozo” e aplausos para Lula: O desfile polêmico que parou o Rio, irritou Michelle Bolsonaro e agora está na mira da Justiça apareceu primeiro em DiviNews.