A Polícia Federal apreendeu, nesta última segunda-feira (23), um jatinho de propriedade do deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), em novo desdobramento da Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. O caso amplia a pressão política e jurídica sobre um esquema que já vinha sendo tratado como um dos mais graves no sistema previdenciário.
A apreensão da aeronave ocorreu no contexto de investigações que avançaram após fases anteriores da operação, quando o parlamentar já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A movimentação da PF reforça que a apuração segue ativa e com foco também em patrimônio e ativos de alto valor ligados aos investigados.
Segundo os elementos reunidos pela investigação, Pettersen teria recebido ao menos R$ 14,7 milhões em propinas para oferecer proteção política ao esquema. O relatório policial aponta que o parlamentar aparecia em planilhas de pagamento da Conafer com o apelido “Herói E”, e que os repasses teriam ocorrido de forma mensal, com intermediação de assessor. Essas informações integram a linha investigativa da PF e ainda dependem de análise judicial de mérito.
A Operação Sem Desconto apura um modelo de descontos indevidos aplicados sobre benefícios previdenciários, com impacto direto em aposentados e pensionistas. No centro da apuração está a relação entre o INSS e entidades associativas que, segundo os investigadores, teriam operado cobranças sem autorização válida dos beneficiários.
No caso de Euclydes Pettersen, a PF sustenta que o deputado exercia papel estratégico para manter a engrenagem do esquema. O relatório descreve o parlamentar como figura essencial para abrir acesso político a pessoas com influência sobre indicações para a presidência do INSS, o que, segundo a corporação, ajudaria a preservar o convênio investigado e a continuidade dos pagamentos.
Ainda de acordo com a apuração policial, a Conafer teria recebido mais de R$ 708 milhões do INSS no período analisado. A PF afirma que cerca de 90% desse montante foi desviado para empresas de fachada e contas de operadores financeiros, em um circuito que incluiria repasses a pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado. Esse ponto é um dos mais explosivos da investigação, porque aponta possível drenagem de recursos em escala milionária.
O caso ganhou grande repercussão desde novembro de 2025, quando a PF e a CGU cumpriram dezenas de mandados em vários estados. Naquela fase, Euclydes Pettersen já aparecia entre os alvos, e o foco inicial envolvia busca e apreensão, além de medidas cautelares discutidas no STF.
A investigação também expôs a dimensão política da operação. Além da suspeita de recebimento de vantagens indevidas, a apuração passou a examinar como redes de influência teriam atuado para sustentar estruturas administrativas sensíveis dentro do INSS. Isso torna o caso ainda mais delicado, porque mistura recursos públicos, aposentadorias e suposta proteção política.
É importante registrar que acusação e investigação não significam condenação. A apuração está em andamento, e os fatos precisam seguir o devido processo legal, com contraditório e ampla defesa.
Em manifestação divulgada quando foi alvo da operação em novembro, o deputado negou irregularidades, afirmou não ter vínculo ilícito com o INSS ou com dirigentes, e disse confiar nas instituições e nas investigações. Até aqui, a defesa do parlamentar sustenta que a verdade será esclarecida no curso do processo.
No plano político, a apreensão do jatinho adiciona peso simbólico ao caso. Quando a PF alcança bens de alto valor, a mensagem pública é de aprofundamento da investigação patrimonial, o que costuma elevar a pressão sobre investigados e sobre os agentes públicos que tiveram alguma relação com o esquema.
No plano social, o dano mais sensível permanece sobre aposentados e pensionistas. São beneficiários que dependem de renda mensal para despesas básicas e que, diante de suspeitas de descontos indevidos, acabam no centro de um escândalo que expõe fragilidades de controle e fiscalização.
A nova fase da Operação Sem Desconto, portanto, não atinge apenas um nome ou um mandato. Ela recoloca em debate a proteção real aos beneficiários do INSS, a responsabilidade das entidades conveniadas e o papel de agentes políticos em estruturas que deveriam servir ao interesse público, não a redes de favorecimento.
Se as suspeitas forem confirmadas pelas instâncias judiciais, o caso poderá se consolidar como um dos episódios mais graves de captura política de um sistema que atende milhões de brasileiros. Se não forem, caberá à investigação demonstrar isso com transparência. Em qualquer cenário, o país já recebeu um alerta duro sobre a necessidade de blindar a Previdência contra fraudes estruturadas.
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