A Zona da Mata mineira enfrenta um dos momentos mais críticos dos últimos anos após as fortes chuvas que atingem a região desde a noite de segunda-feira (23). O número de mortos já chega a 22, conforme confirmação oficial do Governo de Minas Gerais. As vítimas estão concentradas principalmente em Juiz de Fora e Ubá, mas os impactos também atingem o município de Matias Barbosa, que registra ocorrências graves relacionadas a alagamentos e deslizamentos.
Juiz de Fora: epicentro da tragédia
Em Juiz de Fora, onde foram confirmadas 16 mortes, o cenário é de devastação em diversos bairros. O transbordamento do Rio Paraibuna agravou a situação, provocando enchentes em áreas urbanas, invasão de água em residências, destruição de comércios e danos à infraestrutura pública.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, em poucas horas foram registradas dezenas de chamadas envolvendo soterramentos, risco estrutural, quedas de barreiras, pessoas ilhadas e deslizamentos de terra em encostas.
A prefeitura decretou estado de calamidade pública, medida que permite maior agilidade na contratação de serviços emergenciais e no direcionamento de recursos para ações de resposta e reconstrução. Além disso, foi decretado luto oficial de três dias no município.
Ubá: perdas humanas e colapso estrutural
Em Ubá, seis mortes foram confirmadas até o momento. O temporal atingiu a cidade durante a madrugada, causando alagamentos severos e comprometendo imóveis públicos e particulares.
A prefeitura informou que unidades de saúde tiveram atendimento suspenso temporariamente devido aos danos estruturais, incluindo a farmácia municipal, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e a Policlínica Regional. O transporte assistencial também foi interrompido, sendo mantidos apenas os atendimentos de hemodiálise, dentro das condições possíveis.
A sede da Secretaria de Desenvolvimento Social foi transformada em ponto oficial de arrecadação de donativos, recebendo alimentos não perecíveis, água mineral, produtos de higiene, roupas e calçados.
Matias Barbosa: deslizamentos e interdições
No município de Matias Barbosa, equipes da Defesa Civil monitoram áreas de risco após registros de deslizamentos de terra e interdições em vias urbanas e rurais. Moradores foram orientados a deixar áreas próximas a encostas e cursos d’água.
Embora não haja confirmação oficial de mortes no município até o momento, os danos materiais são significativos, com registros de casas atingidas e famílias desalojadas.
Mais de 440 desabrigados
Somente em Juiz de Fora, a Defesa Civil estima cerca de 440 pessoas desabrigadas. Escolas municipais foram transformadas em abrigos provisórios, entre elas:
- Escola Municipal Amélia Pires (Monte Castelo)
- Escola Municipal Murilo Mendes (Alto Grajaú)
- Escola Municipal Nilo Camilo Ayupe (Paineiras)
Esses locais também funcionam como pontos de arrecadação de donativos.
Reconhecimento federal e apoio emergencial
O governo federal reconheceu oficialmente o estado de calamidade pública em Juiz de Fora por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. A medida permite a liberação imediata de recursos da União para assistência humanitária, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução de áreas afetadas.
A Defesa Civil Nacional deslocou técnicos especializados do Grupo de Apoio a Desastres (Gade) para atuar diretamente na cidade, auxiliando no levantamento de danos e na organização da resposta emergencial.
Governo estadual acompanha situação
O vice-governador Mateus Simões esteve na região para acompanhar de perto as ações de resgate e assistência às vítimas. O governador Romeu Zema também anunciou visita à Zona da Mata para avaliar os impactos e coordenar medidas emergenciais.
O governo estadual decretou luto oficial de três dias em Minas Gerais em razão das mortes.
Alerta vermelho de chuvas
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para acumulado de chuvas em Minas Gerais e estados vizinhos. A previsão indica volumes que podem ultrapassar 100 milímetros por dia, com risco elevado de novos alagamentos, deslizamentos e transbordamentos de rios.
A recomendação é que moradores de áreas de risco fiquem atentos a sinais como:
- Rachaduras em paredes e muros
- Inclinação de árvores ou postes
- Estalos no solo
- Aumento repentino do nível da água
Em situações de emergência, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199.
Operações de resgate continuam
As equipes seguem mobilizadas em buscas por possíveis desaparecidos e no atendimento às ocorrências que ainda surgem. Máquinas pesadas auxiliam na remoção de lama e entulho, enquanto técnicos avaliam estruturas comprometidas.
Moradores relatam cenas de desespero durante a madrugada, com a água subindo rapidamente e invadindo casas em poucos minutos. Em alguns bairros, famílias precisaram sair às pressas apenas com a roupa do corpo.
Impacto social e econômico
Além das perdas humanas, os prejuízos econômicos ainda estão sendo contabilizados. Comerciantes relatam perda total de mercadorias, e diversas vias permanecem interditadas para limpeza e avaliação estrutural.
A tragédia reforça o debate sobre ocupação irregular de áreas de risco, drenagem urbana e necessidade de investimentos em infraestrutura preventiva.
Solidariedade e mobilização
Campanhas de arrecadação estão sendo organizadas por entidades civis, igrejas e voluntários. A população pode contribuir com alimentos, água, roupas, cobertores e materiais de limpeza nos pontos oficiais de coleta.
A situação na Zona da Mata mineira segue crítica e sob monitoramento constante das autoridades estaduais e federais. Novas atualizações devem ser divulgadas conforme o avanço das operações e a consolidação de dados oficiais.
A prioridade neste momento é salvar vidas, garantir abrigo às famílias afetadas e iniciar o processo de reconstrução das áreas devastadas.








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