A manhã desta quinta-feira (12) começou com sirenes e mandados em Divinópolis. O GAECO Regional, em atuação integrada com a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal, deflagrou a Operação Ghost Machine e cumpriu 4 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão, todos em endereços residenciais.
A coletiva concedida na sede do Ministério Público deixou claro que a investigação permanece sob sigilo e que o órgão decidiu falar à imprensa apenas para prestar contas do que foi executado nesta fase. Um dos responsáveis pela apuração, promotor do GAECO, Leandro Willis resumiu o momento como etapa de “deflagração de indícios muito fortes”, mas reforçou que o trabalho ainda exige análise de grande volume de aparelhos e documentos apreendidos. A expectativa anunciada é encerrar a investigação no prazo de cerca de 60 dias, quando o sigilo deverá ser levantado e o Ministério Público poderá detalhar fatos com mais amplitude.
Como começou
Segundo os promotores, a investigação nasceu dentro da Promotoria do Patrimônio Público a partir de uma representação levada pelo prefeito ao Ministério Público em março de 2025. Na ocasião, foram relatadas suspeitas de irregularidades no âmbito da secretaria responsável por operações e serviços urbanos, com o próprio Executivo informando que já havia promovido mudança de comando e, em seguida, encaminhado elementos para apuração.
A investigação avançou com medidas típicas de apuração robusta, como afastamento de sigilo bancário e, depois, sigilo telemático, que envolve dados de comunicações. A partir desse conjunto, o Ministério Público diz ter chegado a um ponto de maturidade que justificou as prisões e as buscas desta quinta-feira.
Quem foi preso
O Ministério Público não divulgou nomes durante a coletiva, mantendo o sigilo. Oficialmente, o que foi confirmado é que há 4 presos, sendo 2 servidores públicos e 2 empresários. Um dos servidores é efetivo e lotado na Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos, e segue em atividade. O outro, segundo os promotores, estava licenciado no momento da deflagração.
Nos bastidores, circula a suspeita de que um dos presos seja Gustavo Mendes, ex-secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos, exonerado há alguns meses pelo prefeito Gleidson Azevedo. Até o momento, porém, essa identificação não foi confirmada oficialmente pelas autoridades na coletiva, e o Divinews mantém o registro como informação ainda não oficial.
Um segundo nome, revelado ao Divinews, por fonte de dentro do Pátio da Prefeitura, seria Thiago Henrique, coordenador de transporte da SEMSUR; um dos empresários pode ser, também segundo a mesma fonte, Caio, da CCR; e o quarto nome, ainda segundo tal fonte, pode ser Marcos, dos caminhões pipas.
Empresas e o “coração” do esquema
A operação mira suspeitas envolvendo contratos de locação de máquinas com operador, um tipo de contratação que, segundo o Ministério Público, tem fiscalização mais difícil, porque a medição costuma ser por hora trabalhada e depende de controle rigoroso da execução.
Foi nesse ponto que o Ministério Público descreveu o mecanismo suspeito. A linha de apuração aponta direcionamento de procedimentos e combinação para favorecer determinados fornecedores. Em troca, haveria benefício financeiro a agentes públicos. A suspeita mais grave é a de medições fraudadas, com pagamento por volume de serviço superior ao efetivamente prestado, e retorno em forma de propina.
Na coletiva, foi dito que os contratos envolvidos são milionários, cerca de R$ 37 milhões, e que a propina, pela estimativa preliminar, teria superado R$ 2 milhões. Os promotores também mencionaram que o recorte inicial considera contratos ativos com as empresas investigadas, sem descartar que outros contratos e outros agentes possam entrar no radar após a análise do material apreendido.
O que foi apreendido
A deflagração teve foco em dinheiro em espécie sem origem demonstrada, aparelhos celulares e dispositivos eletrônicos, para “fechamento das provas”. Um dos integrantes das forças de segurança detalhou que, em um dos alvos, foram encontrados R$ 185 mil em dinheiro vivo escondidos em caixas de sapato. Também houve apreensão de uma arma calibre 12, com munições calibre 12 e munições calibre 32, além de celulares.
Importante, as autoridades afirmaram que não foram cumpridos mandados em repartições públicas, apenas em residências dos alvos, e que as diligências ocorreram sem incidentes.
Quantos podem estar envolvidos
Embora apenas 4 prisões preventivas tenham sido cumpridas, a operação teve 14 alvos no total, entre buscados e presos, segundo o Ministério Público. O próprio GAECO afirmou que a fase pós-deflagração, com análise de celulares, documentos e depoimentos, deve clarear se há novos agentes públicos, novos empresários e outros contratos sob suspeita.
Ainda nesta quinta-feira, promotores informaram que se reuniriam com o atual secretário da pasta e com o controlador interno do município para compartilhar informações e recomendar auditoria, além de atenção especial aos contratos considerados suspeitos. Também foi mencionada a possibilidade de retirada administrativa de um servidor que não foi preso, mas teria sido alvo de busca, como medida de cautela dentro da própria estrutura municipal.
O que acontece agora
A partir desta fase, o caso entra no trecho mais delicado, separar o que foi efetivamente executado do que teria sido maquiado, definir o que virou pagamento indevido, como o dinheiro teria circulado e quais agentes teriam facilitado o esquema. O Ministério Público reforçou que só poderá dar nomes, empresas e detalhes completos quando o sigilo for levantado e a denúncia for apresentada.
Até lá, o que já está posto é pesado. Quatro prisões preventivas, dinheiro vivo escondido, arma apreendida, contratos milionários e suspeita de propina superior a R$ 2 milhões. E, politicamente, um detalhe que não passa despercebido, a apuração foi iniciada após representação levada pelo próprio Executivo municipal, o que tende a aumentar o impacto institucional do caso.
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