A eleição para direção do CMEI Isaura Ferreira, em Divinópolis saiu do campo pedagógico e entrou, de forma brusca, no terreno político. A disputa, que deveria ocorrer apenas entre membros da comunidade escolar, ganhou contornos partidários depois que o próprio prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, resolveu gravar um vídeo em defesa de sua esposa, Raquel, integrante da chapa 1. O vídeo provocou forte reação e expôs uma divisão interna formada por três grupos: os que apoiam o prefeito, os que se posicionam contra a ingerência política e os que preferem distância do conflito.
O prefeito afirmou que decidiu se manifestar após, segundo ele, ter sido surpreendido pela atuação do presidente do Sintram, Marco Aurélio, que teria feito campanha para a chapa 2. Na gravação, Gleidson alegou que evitou interferir no processo, mas que o presidente do sindicato teria politizado a disputa ao atuar diretamente na porta da escola. Ele acusou o dirigente de agir com “covardia” e “sacanagem”, politizando algo que deveria permanecer no âmbito pedagógico.
A partir daí, a disputa ganhou contornos de guerra política. Pais, professores, servidores e lideranças locais se dividiram em três grupos: os que apoiam a chapa da esposa do prefeito, os que reprovam qualquer interferência institucional e os que preferem se afastar do conflito.
A politização, porém, não ocorreu apenas de um lado. Marco Aurélio enviou espontaneamente ao Divinews sua versão dos acontecimentos. Ele afirmou que a situação no CMEI Isaura Ferreira “está pegando fogo” e que tende a piorar devido à disputa por poder. Disse ainda que o vídeo do prefeito distorceu os fatos.
O presidente do Sintram declarou ao Divinews:
“Uai, lá tá pegando fogo como você percebeu e vai pegar mais ainda. Isso é óbvio pela busca do poder. O prefeito posta um vídeo falando que eu estava fazendo campanha, mas se você olhar o vídeo estou com um celular e um cigarro na mão. A situação lá tá complicada ao extremo.”
Marco Aurélio também pediu que a reportagem evitasse prejudicar qualquer chapa, mas reforçou que sempre expressou sua opinião política, sem esconder preferências nas escolas:
“Não sei o lado que você vai tender, respeito isso. Só peço para não prejudicar a disputa. Eu, Marco Aurélio, sem sindicato, sem nada, me posicionei em todas as escolas, todas. Só nessa que deu esse fuzuê todo. São Geraldo sou chapa 1, Isaura sou chapa 2 e várias outras. Não fiquei em cima do muro.”
A fala confirma que o dirigente sindical tomou posição pública em diversas unidades, mas também evidencia que a escalada de tensão no CMEI Isaura Ferreira se deu justamente por envolver a esposa do prefeito e a resposta institucional gravada por ele.
Essa não é a primeira vez que Gleidson entra em disputas externas e causa efeitos políticos imediatos. O prefeito já havia se posicionado na eleição do Sindicato Rural, quando apoiou uma chapa contra o presidente reeleito Irajá Nogueira. Para críticos, Gleidson transforma disputas setoriais em arenas partidárias, trazendo polarização para processos que deveriam ser conduzidos com neutralidade.
Enquanto isso, relatos enviados ao Divinews mostram que parte da comunidade escolar se incomodou com o vídeo do prefeito, não por rejeitar Raquel enquanto profissional, mas por entender que a intervenção do Executivo ultrapassou a fronteira entre gestão municipal e autonomia escolar. Muitos consideram que a postura do prefeito intensificou o conflito e adicionou uma camada política desnecessária a uma disputa que deveria ser conduzida por pais e servidores.
O CMEI Isaura Ferreira, que deveria estar debatendo propostas pedagógicas e gestão escolar, se tornou palco de um conflito ampliado entre Executivo municipal e Sintram. A eleição ganhou dimensão política e passou a refletir a polarização que toma conta da cidade sempre que o prefeito decide entrar pessoalmente em disputas externas.
Com lados claramente expostos e tensões em alta, a eleição promete ser uma das mais agitadas da rede municipal. Independentemente do resultado, o episódio já revela os impactos da polarização na educação e os riscos de transformar disputas escolares em arenas de disputa partidária, como aconteceu, no ano passado, na eleição no sindicato rural.
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