O banqueiro Daniel Vorcaro deixou na manhã deste sábado (29/11) a prisão preventiva onde estava detido desde 17 de novembro. A libertação ocorreu às 11h42, após decisão da TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), por intermédio da desembargadora Solange Salgado da Silva, que revogou a custódia e impôs medidas.
Vorcaro saiu do Centro de Detenção Provisória com tornozeleira eletrônica, passaporte retido, obrigação de comparecimento periódico à Justiça, proibição de contato com outros investigados e vedação para exercer atividades no setor financeiro.
Prisão preventiva vinha de investigação da Operação “Compliance Zero”
A detenção de Vorcaro e outros executivos ocorreu no dia 17/11, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação “Compliance Zero”, destinada a apurar um esquema de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Master. A investigação aponta irregularidades na concessão de créditos e emissão de títulos falsos, com movimentação suspeita que poderia atingir cifras bilionárias.
Na ocasião, Vorcaro tentava embarcar num jatinho particular com destino ao exterior um dos fatores que pesaram para a prisão preventiva, dada a suspeita de risco de fuga.
Justiça reconsidera: risco de fuga seria mitigado por medidas cautelares
Na decisão desta sexta-feira (28/11), a desembargadora Solange Salgado reconsiderou os fundamentos que justificaram a prisão. Ela entendeu que a gravidade das acusações e o vultoso valor em disputa não dispensam cautela — mas que a prisão preventiva não é a única forma de garantir o andamento das investigações e evitar risco de fuga. Ao invés disso, impôs o conjunto de restrições como alternativa.
No despacho, a magistrada considerou que as medidas cautelares tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte, proibição de sair do município e de manter contato com outros investigados oferecem garantias suficientes à instrução penal, mantendo o “periculum libertatis” sob controle.
Demissão do Banco Master e impacto sobre o sistema financeiro
O banco já foi alvo de intervenção: o Banco Central do Brasil decretou sua liquidação extrajudicial, diante das irregularidades detectadas. Com isso, o banco perdeu autorização para operar, e seus ativos e passivos passaram a ser geridos por autoridades reguladoras.
O retorno de Vorcaro à liberdade com restrições reabre debate sobre os rumos da investigação: os procuradores e a PF agora precisarão atuar com cautela e agilidade para reunir provas suficientes, antes que novas manobras compliquem a responsabilização pelos supostos crimes financeiros.
O que vem pela frente
Com a soltura de Vorcaro e dos demais executivos, a Justiça Federal e os órgãos de controle precisam decidir se mantêm as medidas cautelares ou se haverá novas reviravoltas. A atenção recai sobre:
cumprimento rigoroso das restrições impostas (tornozeleira, proibição de deixar o município, entrega de passaporte);
manutenção da sanção de liquidação do Banco Master impedindo atuação financeira direta;
acompanhamento das investigações para garantir que a instrução penal avance sem interferências externas;
possíveis repercussões para investidores, credores e o sistema financeiro como um todo.
O post Dono do Banco Master é solto após 12 dias e sai da prisão com tornozeleira apareceu primeiro em DiviNews.