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Opinião: Ao contestar 2014, Aécio Neves foi o embrião da radicalização; e agora culpa Lula e Bolsonaro

O deputado federal Aécio Neves (PSDB) recentemente, e tem sido constante, voltou a criticar a polarização entre esquerda e direita, e apontar o atual embate entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro como causa da radicalização política do país. Mas o que o deputado parece esquecer, ou prefere ignorar tentando passar para a população, que é um pacificador e não um agente ativo de tal polarização que ele próprio foi parte essencial na construção do cenário atual ao não aceitar ter sido derrotado nas urnas pela ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreu impeachment antes de um ano de seu segundo mandato – É fato que, o tucano almeja um voo maior em 2026.    

Em 2014, Aécio concorreu à Presidência e foi derrotado por Dilma Rousseff (PT). E segundo um gráfico elaborado pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, naquela ocasião, a ex-presidente Dilma só passou à frente de Aécio Neves (PSDB) durante a apuração dos  às 19h32, com 88,9% do total apurado.

Fato é que Aécio inicou a apuração, às 17h01, com 51,62% dos votos válidos. Quatro minutos depois, ele abriu sua maior vantagem durante toda a apuração, chegando a 67,7% (isso com apenas 139.808 votos contabilizados). A petista foi diminuindo a diferença gradativamente. Ela chegou aos 40% às 17h29 (com quase 10 milhões de votos verificados). Às 18h26, foi registrada a maior diferença do candidato do PSDB em relação à candidata do PT em número absoluto de votos: 6.773.669 (até então mais da metade dos votos já haviam sido contados). Às 19h04, Dilma reduziu a vantagem pela metade e, depois, foi se aproximando do adversário, até atingir os 50,05% às 19h32. Uma hora depois, exatamente às 20h32, a vitória dela foi confirmada matematicamente, com 51,47% dos votos válidos. E o último voto foi contabilizado às 2h13 da segunda (27), quando 100% das urnas foram apuradas. Dilma terminou com 51,64% e Aécio, com 48,36%. Ela teve, ao todo, 54.501.118 votos e o tucano, 51.041.155.

Existe uma imagem que ficou registrada como icônica, é o então candidato Aécio Neves, ao lado do apresentador Luciano Huck, que o apoiou. Ambos olhando para um aparelho de TV, não acreditando que a petista pudesse ter virado a votação nos últimos momentos da apuração.

A partir da derrota, em vez de aceitar o resultado eleitoral, Aécio iniciou uma estratégia articulada para deslegitimar o mandato de Dilma. Com apoio midiático e político, passou a insistir em narrativas conspiratórias contra o governo.

Poucos meses depois, em dezembro de 2015, a Câmara dos Deputados, captaneada pelo deputado Eduardo Cunha, à época presidente daquela Casa, por acordo que o PT não cumpriu, e por Dilma não ceder aos caprichos do Congresso, ele acabou aceitando já em dezembro de 2015, com apenas um ano de mandato no seu segundo mandato, o pedido de impeachment contra a petista, apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal, que posteriormente acabou sendo eleita deputada em tal onda. 

A justificativa naquela ocasião é que Dilma Rousseff sofreu impeachment devido às pedaladas fiscais,  e à edição de decretos de crédito suplementar sem autorização legislativa. A acusação principal foi que o governo utilizou os bancos públicos para maquiar a situação fiscal do país, atrasando repasses de programas sociais e atrasando o pagamento de subsídios do Plano Safra, o que configurou uma operação de crédito ilegal e descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal. 

Em 2018, o Supremo Tribunal Federal – STF arquivou o processo contra Dilma. Fato é que, para muitos analistas e historiadores, o que se seguiu ao impeachment não foi apenas uma mudança de governo, mas o início de um ciclo profundo de instabilidade política, judicial e social. A extrema direita “saiu do armário” e ganhou as ruas rumo a polarização que se enraizou com força, até os dias de hoje.

Com ascensão da extrema-direita, a descrença nas instituições, os ataques mútuos entre grupos ideológicos e a própria desconfiança nas urnas eleitorais têm raízes, entre outros fatores, nesse momento de ruptura institucional iniciado em 2015-2016.

Retórica seletiva do parlamentar

Agora, Aécio Neves critica o conflito entre Lula e Bolsonaro como se fosse alheio ao contexto. Ele clama por “moderação” e responsabilidade política. Entretanto, sua atuação no impeachment e as ações subsequentes de seu partido (PSDB) contribuíram diretamente para a segmentação política e social do país, tanto é que o Partido Social da Democracia Brasileira, esvaziou, e segue a beira da morte.

Aécio cria uma narrativa de tentativa de lavagem de imagem. Como denunciado pela ex-presidente Dilma Rousseff, Aécio tenta limpar sua biografia e se apresentar como pacificador, quando foi protagonista da crise que afundou a democracia brasileira.

Consequências do fracasso histórico

Os efeitos do impeachment e da polarização não são apenas políticos. O país patinou economicamente, a desconfiança institucional se espalhou, e movimentos sociais se radicalizaram.

Hoje, o Brasil vive um dos momentos mais tensos de sua história recente, com radicalização, descrença nas eleições, violência simbólica e real e erosão do tecido democrático.

O que poucos querem lembrar

Ao criticar o momento atual, Aécio parece ignorar que:

  • Que foi derrotado democraticamente em 2014.

  • Que assumiu a articulação contra o governo, fomentando crise institucional.

  • Que defendeu o impeachment com base em acusações de “pedaladas fiscais”, alvo de intenso debate jurídico, até os dias de hoje

  • Que o resultado abriu caminho à ascensão da extrema-direita e à grave crise recente.

A polarização de hoje não é fruto do acaso, é legado de uma estratégia política de Aécio Neves e seus aliados.

Publicação feita na Gazeta do Povo em 2014, em 30 de outubro de 2014

Manchete: “PSDB contesta a reeleição de Dilma”

Partido entra no TSE com pedido de auditoria especial na contagem de votos. Executiva tucana de São Paulo pede fiscalização internacional

O PSDB decidiu contestar o resultado do segundo turno da eleição presidencial em que a presidente Dilma Rousseff (PT) venceu o tucano Aécio Neves. Numa frente menos in­­cisiva, o partido entrou com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que seja feita uma “auditoria especial” no resultado das eleições. Nessa ação, o partido alega que o objetivo não é colocar em dúvida a lisura do resultado, mas esfriar as teorias conspiratórias que circulam na internet de que a eleição foi fraudada.

Em outra linha mais dura, a executiva do PSDB da cidade de São Paulo, maior diretório municipal do partido, aprovou uma nota contestando o resultado do segundo turno da eleição presidencial e pedindo uma auditoria do resultado, de preferência internacional.

A ação protocolado no TSE é assinada pelo coordenador jurídico do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP). Ele pede que seja criada uma comissão de técnicos indicados pelos partidos políticos para a fiscalização de todo o processo eleitoral. O PSDB diz que não coloca em dúvida a lisura da apuração e o trabalho do TSE, mas justifica que, depois de anunciada a vitória da petista, surgiu, especialmente nas redes sociais, “uma somatória de denúncias e desconfianças por parte da população brasileira”. Sampaio afirmou que não se trata de recontagem dos votos, mas de uma medida para evitar que teorias de que houve fraude no processo continuem sendo alimentadas. “Nas redes sociais os cidadãos brasileiros vêm expressando, de forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos”, diz o texto da ação.

Já o presidente do diretório municipal do PSDB de São Paulo, Milton Flávio, colocou em dúvida todo o processo eleitoral. Seguno ele, há denúncias de fraudes em urnas eletrônicas nas redes sociais. Os tucanos de São Paulo contestam também a isenção do presidente do TSE, José An­­tonio Dias Toffolli, que trabalhou para o PT antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal e ao TSE. “Muita gente questiona a isenção do Toffoli [de conduzir as eleições]”, disse Flávio.

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