A poucos dias do Natal, o prefeito de Cláudio, José Rodrigues Barroso, conhecido mais como Zezinho, tomou uma decisão que caiu como um presente de grego para os feirantes: retirou todas as barracas de cima da praça, que ficavam sob as sobras das árvores e as colocou no asfalto lateral. A mudança, segundo opinião de alguns vereadores foi feita sem diálogo amplo, provocando perdas, revolta e críticas dos feirantes e mesmo de parte da população, sobretudo porque partiu de um decreto emitido enquanto outro ainda seguia válido até 31 de dezembro, mas Zezinho no apagar das luzes da última sexta-feira, emitiu um outro decreto de manutenção da feira no asfalto. O Divinews ouviu feirantes, moradores, vereadores e o próprio prefeito. O que se formou foi um retrato claro de insatisfação, prejuízo econômico e desgaste político.
Vereador Frederico Amorim aponta desrespeito e prejuízo generalizado
O vereador Frederico Amorim, membro da Mesa Diretora, esteve no local e fez duras críticas ao prefeito. Ele relatou que o decreto chegou às 18h30 sem qualquer aviso formal para a Câmara. No vídeo registrado pelo Divinews que esteve na cidade, o vereador Frederico Amorim afirmou: “A feira está vazia. A praça é do povo. Devolve a praça para o povo.”
Ao caminhar pela feira, ele mostrou bancas cheias, feirantes desanimados e produtos encalhados. Um deles estimou prejuízo de R$ mil reais, conforme aparece no registro. Outro mostrou que levou 85 unidades de uma mercadoria e vendeu apenas 10, conforme registro em vídeo.
Frederico concluiu: “Hoje seria dia de comemorar um ano da feira. O presente que deram foi acabar com ela.” (veja vídeo)
Vereador Kaká Amorim confirma que a praça não tinha danos da feira
Já o vice-presidente da Câmara, vereador Kaká Amorim, reforçou a crítica. Em entrevista ao Divinews, o parlamentar explicou que a prefeitura realizou quatro eventos na praça no último ano, os quais queimaram a grama e deixaram resíduos por meses. Mesmo assim, nada foi questionado naquele momento.
Kaká destacou: “A feira não causa prejuízo nenhum. Zero. A mudança reduziu as vendas, afastou o público e criou um problema que não existia.”
Feirantes relatam caos: calor, queda nas vendas e equipamentos danificados
A feirante Sara, do Cantinho do Chopp, explicou a mudança abrupta e como isso afetou seu trabalho. la afirmou: “A chopeira estava no sol. Parou. Tivemos que desligar. A churrasqueira está lá no asfalto, quente, queimando.” A queixa de feirante foi feita em gravação ao Divinews.
Ela também apontou a contradição sobre a grama: “As crianças brincam no jardim e pisam na grama. Isso eles não veem.”
O feirante Hércules reforçou a queda brusca nas vendas. Na entrevista relatou que no “Sábado passado foi horroroso. Ninguém vendeu nada.” Ele mostrou que visitantes/compradores deixaram de ir porque perderam sombra, estacionamento e conforto.
Outro feirante mostrou caixas cheias de refrigerantes e cervejas que voltaram sem venda. E lamentou o prejuízo “Voltando tudo. Antes vendia tudo.”
Moradores também reclamam
Além dos feirantes, moradores relataram que a mudança alterou o trânsito em um dos lados da praça. Alguns reclamaram do bloqueio repentino da rua, o que prejudicou moradores e comerciantes próximos.
A única voz positiva veio de um pai que avaliou a mudança como “boa para as crianças brincarem”. No entanto, ao ser questionado pelo Divinews se a perda de vendas e o impacto econômico valiam cinco horas semanais de uso da praça no modelo antigo, o morador não conseguiu responder, apenas acusou o site de ser “tendencioso”, ouvindo como resposta que o portal é opinativo.
Prefeito Zezinho responde e diz que mudança foi por causa da decoração
O Divinews, cumprindo o contraditório do jornalismo, procurou o prefeito Zezinho para que ele desse suas justificativas do por que assinou o decreto da mudança do local da feira livre, em Nota afirmou: “A mudança foi devido à decoração de Natal. E também uma tentativa de conciliar feira e famílias que usam o Jardim Monte Castelo como lazer.”
O chefe do Executivo também disse que todos os feirantes teriam concordado antes da mudança, mas que um deles chamou um vereador, um que “gosta de palanque”, o que teria inflamado a situação.
Zezinho completou: “A experiência deu certo. Vamos manter como funcionou hoje. A maioria silenciosa aprova.”
Realidade vista no local contradiz narrativa oficial
As entrevistas do Divinews, com falas e registros no local feitos pela reportagem mostram uma realidade diferente da exposta pelo Executivo. A feira apresentou baixíssima circulação. Barracas fecharam cedo. Produtos encalharam. Equipamentos sofreram com o sol. Visitantes reclamaram da falta de sombra. Se a experiência deu certo, como afirma o prefeito, os arquivos mostram o oposto.
A feira existe há apenas um ano, mas virou parte da dinâmica de lazer e da economia local. A mudança, segundo os próprios feirantes, não trouxe benefício apenas prejuízo e desgaste.
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