O caso envolvendo o suspeito de feminicídio Alex Leandro Bispo ganhou contornos ainda mais polêmicos com a conexão a contratos milionários vinculados à produtora associada ao filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação uniu violência extrema e negócios controversos envolvendo dinheiro público.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB) foi contratado em 2024 pela prefeitura de São Paulo para instalar wi-fi gratuito em comunidades de baixa renda. O contrato inicial foi de R$ 108 milhões e apresentou irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Município. Mesmo assim, a gestão municipal acelerou pagamentos e execução antes das eleições municipais.
O ICB cobrou R$ 1.800 por ponto instalado e R$ 1.800 por mês pela manutenção, muito acima de preços praticados por serviços especializados, como a Prodam. A prefeitura aceitou considerar formalmente 30 de junho de 2024 como data-base de instalação de equipamentos que só passaram a funcionar depois. Isso elevou o volume de repasses mesmo antes de entrega efetiva dos serviços.
Nesse ambiente, a Favela Conectada, empresa de Alex Bispo, atuou como terceirizada para manutenção. A contratada recebeu R$ 712 por ponto. Em um dos pagamentos, a Favela Conectada foi paga por 12 mensalidades de serviços prestados por pouco mais de dois meses, somando cerca de R$ 12 milhões no total.
A assinatura do contrato aparece apenas com o nome “Alex” e um CPF incompleto nos documentos oficiais, mas depois surge o nome completo dele em termo de operação de dados acompanhado de Maria Katiane Gomes da Silva, sua esposa e vítima do crime brutal. A Favela Conectada funcionava no mesmo prédio de um escritório cujo aluguel foi pago com recursos do contrato público.
Alex Leandro foi preso em 9 de dezembro depois de espancar a esposa em um estacionamento e dentro de um elevador. Ela caiu do 10º andar de um edifício na zona sul de São Paulo e morreu. As imagens de câmeras de segurança mostram a sequência de agressões antes da fatalidade.
O caso é investigado pela 89ª Delegacia de Polícia como feminicídio. O suspeito permaneceu foragido por dias, apesar de o crime ter ocorrido em 29 de novembro. As autoridades agora apuram o envolvimento dele em irregularidades que incluem repasses milionários ligados a organizações sociais e à produtora do filme Dark Horse.
A produção cinematográfica Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e tem estreia prevista para 2026, ganhou visibilidade nas últimas semanas. O filme narra a ascensão de Bolsonaro, começando pelo atentado que sofreu em 2022, mostrando momentos marcantes de sua carreira, como debates eleitorais e a recuperação no hospital. O longa foi gravado com destaque internacional e estrelado por Jim Caviezel no papel de Bolsonaro. A direção é do cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh, com roteiro e produção de Mario Frias, deputado federal e ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro.
Esses elementos culturais ampliam a discussão em torno do contrato milionário com a produtora envolvida em Dark Horse. A associação entre negócios, política e produção artística controversa intensifica o debate sobre o uso de recursos públicos em projetos que se cruzam com interesses políticos e narrativas midiáticas.
A prefeitura de São Paulo afirmou que não há relação direta entre autorizações de filmagens e o programa Wi-Fi Livre SP, e defendeu o cumprimento do edital e a importância do projeto para famílias vulneráveis. O ICB e a defesa de Alex não se pronunciaram até a publicação desta reportagem.
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