Carla Zambelli voltou ao centro da crise política ao anunciar sua renúncia ao mandato de deputada federal, mesmo sem ocupar o cargo após determinação do Supremo Tribunal Federal. A renúncia, aconselhada por caciques da direita, foi classificada por especialistas como um ato sem efeito jurídico e interpretada como tentativa de preservar eventual elegibilidade futura – No comando da manobra, Motta e Sóstenes.
A estratégia surgiu após pressão de aliados como Sóstenes Cavalcante e Hugo Motta, que articularam a narrativa de que a renúncia protegeria Zambelli de consequências mais graves. Juristas afirmam que a manobra não altera sua situação, já que ela não detinha mandato algum no momento do anúncio.
O episódio expôs novamente o comportamento errático de um Congresso que, segundo analistas, age reiteradamente para tensionar a Constituição quando o objetivo é blindar aliados da extrema direita.
Na madrugada de quinta-feira, o plenário da Câmara havia enfrentado o STF ao rejeitar a cassação de Zambelli. A decisão contrariou diretamente a ordem da Corte e foi considerada derrota para Motta, que esperava resolução oposta. A ausência de deputados do centrão foi decisiva para manter o mandato naquele momento, antes de ele ser retirado por ordem judicial.
Zambelli foi condenada em maio à perda de mandato e a dez anos de prisão após invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça com ajuda do hacker Walter Delgatti Neto. Fugiu para a Itália e acabou presa no exterior. O STF determinou que ela cumpra pena no Brasil, onde deve ser levada para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, o Colmeia.
A Câmara enfrentou pressão intensa. Inicialmente, Motta declarou que homologaria imediatamente a decisão do STF, mas recuou diante da cúpula do PL. O caso então seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça, numa tentativa de ganhar tempo político.
O STF respondeu com firmeza. Alexandre de Moraes declarou nula a votação que mantivera o mandato da deputada, classificando-a como ato de flagrante inconstitucionalidade, desvio de finalidade e violação direta aos princípios da legalidade e moralidade. A Primeira Turma confirmou por unanimidade a posição, reforçando que a perda do mandato é automática em condenações criminais.
O ministro Cristiano Zanin registrou que a decisão da Câmara deve ter caráter apenas declaratório, sem possibilidade de alterar o resultado da condenação.
Enquanto Zambelli recebia proteção política, o plenário da Câmara também absolveu Glauber Braga, afastando-o apenas por seis meses. A decisão irritou Arthur Lira, mentor de Motta, e ampliou a crise interna no bloco de direita.
Além de Zambelli, Motta ainda carrega pendências explosivas. O deputado Alexandre Ramagem fugiu para os Estados Unidos após condenação no STF. Eduardo Bolsonaro abandonou o cargo para buscar apoio do governo Donald Trump na tentativa de salvar Jair Bolsonaro da inelegibilidade e de possível condenação.
Para analistas, o padrão é evidente. O Congresso insiste em tensionar a Constituição, moldando interpretações para proteger aliados políticos e empurrar o país para sucessivas crises institucionais. A renúncia de Zambelli, classificada como teatral, reforçou esse cenário.
O gesto marcou mais uma manobra para tentar manipular o sistema eleitoral, mas especialistas afirmam que não há chance de prosperar. Sem mandato, não há renúncia válida. E sem renúncia, não há qualquer escudo jurídico para evitar as consequências da condenação.
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