A polêmica em torno do reajuste salarial dos vereadores de Divinópolis ganhou um novo e inesperado capítulo nesta quinta-feira (18). O que parecia ser apenas mais um episódio de indignação pública nas redes sociais se transformou em algo bem mais complexo e revelador. Nos últimos dias, vídeos de cidadãos revoltados circularam pelas redes, criticando o aumento de 42,22% no subsídio parlamentar, que passará de R$ 12 mil para R$ 17 a partir de 2029. Entre os mais inflamados, um deles, se deixou gravar pedindo emprego a um vereador, em troca de apoio em 2028. Ele, possivelmente “duro” abriria mão até mesmo de ser candidato novamente em 2028
Munido de um celular e de uma retórica combativa, ele passou a percorrer as ruas da cidade entrevistando moradores e inflamando o debate público, sempre com críticas duras ao reajuste aprovado pela Câmara. Mas a narrativa ganhou um tom diferente quando o Divinews teve acesso, com exclusividade, a uma gravação de uma conversa entre o republicano cidadão, com um vereador. O conteúdo do áudio desmonta, com precisão cirúrgica, o discurso moralista que está sendo propagado nas redes sociais.
O bastidor que eles não mostram nos vídeos tiktok
Na conversa, o tal cidadão, acima de qualquer suspeita, é o oposto do personagem indignado que tem atuado na internet. O jovem, que não conseguiu se eleger em 2020, oferece ao vereador uma espécie de “acordo político”: pede um cargo na Câmara Municipal; sugere que poderia não disputar as eleições de 2028; e insinua que poderia apoiar o parlamentar futuramente.
Em troca, solicita que o deixe continuar fazendo seus vídeos críticos, sim, ele pede “liberação” para continuar criticando a Câmara, desde que estivesse empregado nela. O episódio, no mínimo contraditório, escancara a distância entre o discurso moralista das redes e a prática da política real. Externamente, A (vamos assim chamá-lo) se apresentou como vigilante da moralidade pública; nos bastidores, buscava exatamente aquilo que condena.
Os “paladinos da justiça” que não contam tudo ao eleitor
Segundo parlamentares que preferem não se identificar, A não está sozinho nessa estratégia. Outros críticos ferozes do reajuste também foram candidatos derrotados nas urnas, como:
- AS
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SA
-
CC
-
KV
-
DC
-
entre outros nomes conhecidos da praça digital (Digital Influencer)
Todos eles já articulam suas campanhas para 2028. E sabem que, para construir base eleitoral, precisam viralizar nas redes sociais. Essa é a receita vitoriosa dos políticos atuais
A crítica ao reajuste virou combustível perfeito para isso, mas nenhum deles, até o momento, contou ao eleitor que, se eleitos forem, receberão exatamente os mesmos R$ 17.387,30 que hoje condenam com veemência moralista.
Nos bastidores, segundo vereadores ouvidos pela reportagem:
“Se a indignação fosse por princípios, tudo bem. Mas é só porque não ganharam. É frustração eleitoral reciclada de moralismo.”
Matemática do salário: dois pesos, duas medidas
Outro ponto levantado por políticos da cidade é que muitos dos atuais críticos, na iniciativa privada, jamais alcançariam salários superiores a dois ou três salários mínimos – Não há pecado algum nisso, o problema está na incoerência: Condenam o salário de vereador publicamente, mas trabalham intensamente, nos bastidores, para ocuparem esses mesmos subsídios futuramente.
Lacração virou profissão, e projeto político
Com o advento das redes sociais, a capacidade de viralizar importa mais que a capacidade de legislar. A crítica virou ferramenta eleitoral. O discurso inflamado virou moeda política.
E a coerência? Essa ficou para trás.
Enquanto isso, veículos de comunicação e comunicadores que esticaram o tema do reajuste até onde puderam também não são exatamente exemplos de coerência moral. Alguns queriam cargos na Prefeitura e não foram atendidos. Outros queriam cargos na própria Câmara e também não conseguiram. Quando a porta se fecha, abrem-se microfones.
Pergunta que fica: quem está realmente preocupado com Divinópolis?
É legítimo criticar o reajuste. É saudável debater o tamanho do Legislativo. Mas é intelectualmente desonesto transformar um debate complexo em performance digital para 2028. O público merece saber a verdade por trás das câmeras: não existe santo no meio político, muito menos no submundo dos bastidores eleitorais.
E antes que digam que o Divinews está “defendendo a Câmara” por que recebe, lembremos: todos os veículos sérios recebem publicidade institucional, como determina a lei. Tudo com Nota Fiscal, impostos recolhidos e transparência. E o editor deste portal jamais disputará cargo público, como nunca disputou – A crítica é saudável, a hipocrisia, não.
- EM BREVE DIVINEWS DIVULGARÁ TAL ÁUDIO
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