O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo voltou às redes sociais para condenar o reajuste aprovado pela Câmara Municipal que fixa os subsídios dos vereadores em R$ 17.387,30 a partir de 2029, ou seja, na próxima legislatura. O discurso, no entanto, ignora um dado central: o próprio chefe do Executivo recebe atualmente quase R$ 33 mil reais, ou extamente, R$ 32.817,06 mensais, valor quase o dobro do salário que passou a criticar publicamente.
A postura causou reação imediata nas redes sociais e nos bastidores da política local. Para críticos, o prefeito faz um movimento calculado de lacração eleitoral, mirando as eleições de 2026, quando pretende disputar uma vaga como deputado federal. O gesto ocorre mesmo ao custo de queimar aliados históricos e tensionar a própria base de apoio na Câmara.
O contraste fica ainda mais evidente quando se observa que o salário do prefeito de Divinópolis é superior ao de vários prefeitos de capitais brasileiras, cidades com população e complexidade administrativa muito maiores. Em Aracaju, o prefeito recebe cerca de R$ 29 mil. Em Natal, R$ 26 mil. Em Fortaleza, aproximadamente R$ 27 mil. Mesmo em Macapá, capital estadual, o salário gira em torno de R$ 31 mil, abaixo do valor pago ao chefe do Executivo divinopolitano.
Além das capitais, prefeitos de municípios mineiros com população maior que Divinópolis também recebem menos. Em cidades como Uberaba, Governador Valadares e Montes Claros, os salários dos prefeitos ficam abaixo ou muito próximos de R$ 30 mil, sem alcançar o patamar atual de Divinópolis.
Outro ponto ignorado no discurso público é que os vereadores tiveram seus salários reduzidos em 25% durante a pandemia, corte aprovado por emenda apresentada pela então vereadora Janete Aparecida, hoje vice-prefeita. O reajuste aprovado agora recompõe parcialmente perdas acumuladas ao longo de anos e só terá efeito na legislatura de 2029 a 2032, não beneficiando os atuais parlamentares.
Interessante ainda que, com certeza tem conhecimento, dos salários de marajá dos servidores de carreira do Legislativo que neste mês de dezembro uma das servidoras chegou a ganhar mais de R$ 200 mil reais, entre beneficios concedidos. Embora não haja ilegalidade em tais pagamentos, é apenas vergonhoso a folha de servidores de carreira, com os tais apostilamentosa (Materia em breve).
Enquanto isso, os secretários municipais recebem hoje cerca de R$ 17 mil mensais, valor equivalente ao novo subsídio dos vereadores, além de contarem com estruturas administrativas, cargos de confiança e assessorias diretas. Ainda assim, o foco do prefeito recai exclusivamente sobre o Legislativo.
Levantamentos mostram que o salário do prefeito em 2021 era de aproximadamente R$ 28 mil. Em quatro anos, com reajustes inflacionários e correções, chegou aos atuais R$ 32 mil. Mesmo assim, o chefe do Executivo se apresenta como defensor da moralidade salarial, mirando exclusivamente os vereadores.
Nos bastidores, a leitura é clara: o prefeito já age como pré-candidato em campanha, apostando na polarização e no discurso fácil contra a política institucional. A estratégia inclui expor aliados, gravar conversas e romper pontes, como já ocorreu em episódios anteriores envolvendo figuras próximas.
A crítica central não é se vereadores merecem ou não o reajuste, nem se o valor é justo diante da realidade salarial da população. A questão é a hipocrisia política de quem condena publicamente salários enquanto ocupa um dos cargos mais bem pagos do interior de Minas Gerais, com remuneração superior à de prefeitos de grandes centros urbanos.
Ao sinalizar o veto ao reajuste, o prefeito reforça uma postura que privilegia o palco das redes sociais em detrimento do diálogo institucional. Para muitos, trata-se menos de responsabilidade fiscal e mais de uma jogada eleitoral antecipada, mirando votos fora da cidade, enquanto a vice-prefeita se prepara para assumir o comando do município.
No fim das contas, o episódio escancara uma realidade conhecida nos bastidores: em ano pré-eleitoral, a coerência costuma ser a primeira vítima da lacração.
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