Divinópolis viveu, na noite desta quarta-feira (19), um dos eventos mais simbólicos e emocionantes já realizados em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra. A programação ocorreu na Praça do Santuário e foi organizada pela Secretaria Municipal de Cultura (Semac), com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Semds) e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial. A celebração não apenas marcou a data de 20 de novembro, como transformou o espaço público em um território de identidade, ancestralidade, protagonismo e construção histórica.
Com o tema “A Mulher Negra e seu papel na história de luta e resistência”, o evento colocou sob os holofotes aquelas que, por séculos, sustentaram comunidades, criaram legados, resistiram à opressão e moldaram a própria cidade com trabalho, arte, fé, inteligência e coragem. Em um Brasil ainda marcado pelo racismo estrutural e pelo silenciamento das narrativas negras, Divinópolis reconheceu e celebrou suas mulheres em uma noite de homenagens e representatividade.
24 homenageadas e uma história coletiva
A terceira edição do Prêmio Mulher Negra fez justiça ao legado e ao trabalho de 24 mulheres indicadas por diversas entidades. Cada uma delas, com sua trajetória particular e contribuições diversas, representou a resistência e a conquista de espaços que historicamente lhes foram negados. O gesto foi recebido com emoção e reafirmação de identidade por familiares, lideranças, representantes culturais e moradores presentes.
Coral Afro Undarirê retorna após 25 anos
Outro momento marcante da noite foi o retorno aos palcos do Coral Afro Undarirê, que fez história em Divinópolis desde 1989. Dirigido por Vicente Santos e herdeiro de influências da Casa Congai, o grupo trouxe ao público sons, ritmos, memórias e espiritualidade que ecoam a ancestralidade africana que moldou parte da cultura divinopolitana.
A apresentação de Valdez Generoso, com apoio do grupo Divino Batuque, reforçou ainda mais o clima de celebração, trazendo sambas autorais e clássicos que emocionaram o público e fizeram da praça um grande palco de identidade negra.
Prefeita Janete envia mensagem de impacto
Ausente por compromissos oficiais, a prefeita Janete Aparecida, mulher negra e voz ativa em defesa do combate ao racismo, enviou mensagem lida ao público. Em um dos trechos mais aplaudidos da noite, Janete destacou:
“Sabemos que não se nasce racista, mas se ensina diariamente como se tornar. E a única maneira de mudar isso é lutarmos todos os dias para colocar fim em atitudes que machucam, que matam nosso povo preto, através de piadas, brincadeiras, desrespeito, desigualdade e violência.”
A fala trouxe reflexão, peso histórico e emoção ao público presente, especialmente em uma data dedicada à memória de Zumbi dos Palmares, Dandara e Tereza de Benguela – símbolos maiores da resistência negra no Brasil.
Cultura, afeto e afirmação
Para o secretário de Cultura, Mardey Russo, a celebração se tornou muito mais que uma agenda cultural:
“Valorizar a cultura negra é reconhecer nossa história enquanto povo e fortalecer o futuro que queremos construir.”
A diretora de Direitos Humanos da Semds, Sandra Guimarães, reforçou que a luta antirracista não pode ser sazonal:
“As políticas públicas precisam ser permanentes. Inclusão, respeito e diversidade não podem ser discursos, mas prática diária.”
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