O Portal de Negócios e Notícias da cidade de Leandro Ferreira - MG

O Portal de Negócios e Notícias
da cidade de Leandro Ferreira - MG

Dois cargos, dois salários, um horário e um só servidor: Ministério Público abre investigação na Prefeitura de Divinópolis

O Ministério Público em Divinópolis abriu uma investigação para apurar suspeitas de irregularidades na acumulação de cargos públicos dentro do município. O ponto que coloca o caso no radar não é apenas o acúmulo em si, mas a agravante que ele pode revelar na prática: se existe um único servidor ocupando dois cargos com jornadas incompatíveis, como ele estaria presente em dois locais ao mesmo tempo? E, se não está, a consequência lógica vira outra pergunta incômoda: existe alguém recebendo dois salários na mesma estrutura municipal sem cumprir integralmente as duas funções?

A apuração tramita na 3ª Promotoria de Justiça de Divinópolis, com atuação na área de patrimônio público cível, e foi formalizada por meio de notícia de fato.  O objetivo do procedimento é verificar se há enquadramento correto nas hipóteses autorizadas pela Constituição Federal e se há compatibilidade de horários entre os cargos eventualmente acumulados.

O Ministério Público parte de um princípio simples: a Constituição não proíbe toda acumulação, mas restringe. Ela permite acúmulo apenas em situações específicas, especialmente quando há interesse público e natureza compatível, como no caso de profissionais da saúde e docentes, ou ainda outras hipóteses constitucionalmente previstas. O que o MP quer saber agora é se os servidores investigados, ou o servidor investigado, estão dentro dessas exceções e, principalmente, se os horários se encaixam de forma real, comprovável e auditável.

O procedimento foi aberto ontem, 9/3, com autuação e distribuição para a promotoria responsável. A partir daí, foram expedidos ofícios para coleta de informações e juntada de documentos, numa fase típica de início de apuração. Nessa etapa, o MP ainda não acusa formalmente. Ele levanta dados, cruza registros e tenta responder ao que interessa ao patrimônio público: houve ou há irregularidade ou não?

Essa verificação costuma envolver documentos básicos, como portarias de nomeação, folhas de ponto, escalas, registros de frequência, local de lotação, atribuições do cargo e horários de expediente. Em outras palavras, o MP tem o dever constitucional de transformar o boato em prova ou desmontar a suspeita com elementos objetivos. É isso que define se o caso morre no começo ou se evolui para uma ação civil pública e para responsabilizações.

O ponto mais sensível, e que dá potencial explosivo à investigação, é a incompatibilidade de horários. Se a suspeita for de jornadas simultâneas, a questão deixa de ser meramente burocrática. Ela vira um problema de efetividade do serviço público e de possível dano ao erário. Afinal, se um servidor não consegue cumprir duas jornadas, ou alguém está assinando presença sem estar, ou o município está pagando por um serviço que não é prestado integralmente. E aí não é apenas “acúmulo”. É possível fraude, com repercussão administrativa e, dependendo do que se apure, até criminal.

Em termos jurídicos, o acúmulo ilegal pode gerar consequências em cadeia. A primeira é administrativa, com apuração interna e eventual exigência de opção por um dos cargos, além de correção de pagamentos. Em seguida, pode haver responsabilização civil, com discussão sobre devolução de valores recebidos indevidamente, e medidas para proteger o patrimônio público. Em situações mais graves, quando há indício de falsidade documental, fraude em folha ou simulação de presença, o caso pode alcançar o campo criminal.

O Ministério Público ainda está na fase inicial. Isso significa que não há denúncia formal nem conclusão. Existe uma apuração em curso para confirmar ou afastar as suspeitas. Em casos como esse, o que a sociedade normalmente cobra é transparência e velocidade. Não para condenar sem prova, mas para responder ao óbvio: se havia irregularidade, quem autorizou, como ocorreu, por quanto tempo e qual foi o custo.

Ao abrir o procedimento, o MP sinaliza uma mensagem de interesse público direto. A folha de pagamento de uma prefeitura é sempre um dos pontos mais sensíveis da gestão. Quando surge dúvida sobre acúmulo, a dúvida não é apenas sobre um servidor. Ela recai sobre o controle interno, sobre a fiscalização administrativa e sobre a própria capacidade do município de impedir distorções.

A pergunta que move tudo permanece simples: como um só servidor estaria em dois cargos, e em dois horários, como se pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo?

 

Imagem MP investigação

O post Dois cargos, dois salários, um horário e um só servidor: Ministério Público abre investigação na Prefeitura de Divinópolis apareceu primeiro em DiviNews.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima