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Encontro de Menin e Roscoe com Cleitinho expõe pressão para tirar senador da disputa em Minas

O senador Cleitinho Azevedo, pré-candidato declarado ao Governo de Minas, entrou no centro de uma disputa de bastidores após um encontro, na semana passada, com o empresário Rubens Menin e com Flávio Roscoe, presidente da FIEMG. A reunião aconteceu, e isso por si só já tem peso, porque reúne um senador com base popular, um dos empresários mais influentes do estado e o principal representante institucional da indústria mineira, num momento em que a sucessão de Romeu Zema acelera.

A primeira versão que chegou ao Divinews soou fora do eixo, justamente por não colocar Cleitinho no centro da pauta. Segundo essa leitura inicial, Roscoe teria usado o encontro para comunicar um projeto próprio, entrar na disputa de 2026, seja como vice em eventual chapa de Nikolas Ferreira, caso o deputado de fato decida disputar o Palácio Tiradentes, seja como cabeça de chapa em outro arranjo partidário, com tentativa de aproximação do Jair Bolsonaro. Essa narrativa deixava no ar a pergunta mais óbvia, qual seria, então, o papel de Menin numa conversa que, em tese, não giraria em torno do senador.

Depois, uma segunda versão entrou no circuito e mudou completamente o sentido do encontro. Uma fonte apontou a presença de Menin como fator de convencimento, com a tentativa de retirar Cleitinho da disputa e empurrar o senador para apoiar o vice-governador Mateus Simões. Nesse desenho, a contrapartida citada por essa fonte envolveria poder de indicação, Cleitinho poderia sugerir o vice da chapa, que claro, seria seu irmão Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis e ainda entraria uma proposta de aporte financeiro alto para a estrutura política, na casa de dezenas de milhões.

A terceira versão, atribuída por quem a trouxe como mais consistente, encorpou o que antes parecia “sem nexo” e justificou a presença de Menin e Roscoe no mesmo ambiente. O relato afirma que o objetivo do encontro seria tirar Cleitinho do jogo e, ao mesmo tempo, bloquear uma outra hipótese que ronda os bastidores, a possibilidade de Gleidson, entrar como vice na chapa de Mateus Simões. Nessa construção, Cleitinho apoiaria Simões, mas o vice deixaria de ser o prefeito de Divinópolis, e Roscoe passaria a ser o nome empurrado como companheiro de chapa, com promessa de aporte financeiro menor do que na segunda versão, mas ainda altamente relevante para qualquer projeto majoritário.

O ponto mais sensível desse enredo não é apenas a disputa por vice ou por palanque. Ele é jurídico e político ao mesmo tempo. Desde 2015, o Brasil proíbe doações eleitorais por pessoas jurídicas, regra que a legislação eleitoral consolidou após decisão do Supremo, e isso obriga qualquer financiamento de campanha a seguir trilhas estritas, com origem identificada, limites e prestação de contas. Quando alguém coloca na mesa números como R$ 10 milhões ou R$ 15 milhões, o debate inevitavelmente encosta em risco de abuso do poder econômico, caixa dois e irregularidade, se a operação não seguir o que a lei permite, com doadores pessoas físicas, rastreabilidade e declaração formal.

Por isso, o Divinews procurou o próprio Cleitinho, relatou as três versões e pediu posicionamento. O senador reagiu com irritação e negou o conteúdo, tratando as ilações como tentativa recorrente de desmobilização. Na resposta, ele cravou: “isso é conversa fiada, vê lá se vou me vender por qualquer coisa, dinheiro!”. Em seguida, ele comparou a pressão atual com o período em que decidiu disputar o Senado e reforçou a própria leitura de que tentam fazê-lo recuar quando ele cresce. E encerrou com uma frase que ele usou como recado direto: “tentaram fazer a mesma coisa quando fui candidato ao Senado, e hoje sou senador, você não me conhece”.

Enquanto isso, o pano de fundo do encontro ajuda a explicar o timing e o incômodo. Roscoe, por exemplo, comunicou à diretoria da FIEMG que deve deixar a presidência em abril, no limite do prazo de desincompatibilização, e se colocou à disposição para concorrer em 2026, o que reforça que ele está mesmo no tabuleiro político. Já Menin, que construiu um império empresarial com marcas e ativos de grande capilaridade, atua como um dos nomes mais influentes do empresariado mineiro e transita em ambientes onde política e economia se cruzam com naturalidade, o que aumenta o peso simbólico de ele estar numa mesa desse tipo.

A leitura que sobra, neste momento, é objetiva. Há um jogo de engenharia política em curso, com o topo tentando organizar a sucessão e reduzir riscos de fragmentação, enquanto Cleitinho mantém o discurso de campanha permanente junto à base, com linguagem direta e sem pedir benção a caciques. É justamente essa diferença de método que faz o encontro render versões, porque, quando a pirâmide tenta controlar a base e a base não aceita, o bastidor vira campo de guerra.

O que esperar daqui para frente aponta para duas frentes simultâneas. Uma, de anúncios e reposicionamentos formais, com nomes se desincompatibilizando, trocando de partido e abrindo espaço para negociações. Outra, mais silenciosa, de pressão, convencimento e tentativa de neutralizar quem lidera ou ameaça liderar. E, depois do desmentido público do senador, qualquer novo capítulo tende a ser ainda mais sensível, porque agora a disputa deixou rastro e entrou na narrativa pública.

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