O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, também presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Itapecerica, protagonizou um dos episódios públicos mais controversos de seu mandato durante a abertura do 15º Encontro dos Consórcios Intermunicipais de Minas Gerais. O evento, realizado nesta terça-feira e quarta-feira (19), reuniu representantes de várias regiões do estado e movimentou hotéis, restaurantes e toda a cadeia produtiva da cidade.
No entanto, o discurso de abertura do anfitrião transformou a cerimônia em constrangimento coletivo. Em tom ríspido, direcionado aos organizadores e especialmente ao secretário-executivo do CISVI, Marco Aurélio, o prefeito declara: “Esse tipo de evento aqui não agrega em nada”. Em seguida, eleva o tom e afirma: “Se tiver algum dinheiro do consórcio aqui, eu vou descontar de você”. A frase causa desconforto imediato entre os executivos, prefeitos e representantes de mais de cem consórcios do estado.
A sequência da fala mantém o clima de tensão. Gleidson afirma estar “cansado da administração” e diz que o encontro representa desperdício, alegando que havia “um milhão de reais parado aqui”. O comportamento, associado a gestos e entonação agressiva, é visto como incompatível com o papel de anfitrião institucional.
Entre convidados de vários municípios mineiros, a avaliação foi unânime: o discurso foi inadequado e politicamente imprudente. A percepção geral é de que o prefeito utilizou o encontro como palco para criar conflito, reforçando seu estilo combativo direcionado às redes sociais para lacrar politicamente.
Nos bastidores da Câmara, integrantes da própria base governista classificaram o episódio como “um acinte”. Um deles afirmou que a fala ultrapassou qualquer limite. Outro, sob reserva, definiu o comportamento como “arrogante”. A repercussão negativa chegou ao ponto de o vereador Matheus Dias publicar uma Nota de Solidariedade ao CISVI, afirmando que a fala do prefeito foi “inoportuna e causou constrangimento desnecessário”.
A reação contrasta fortemente com a postura do deputado estadual Eduardo Azevedo, irmão do prefeito, que esteve no evento nesta quarta-feira. Em entrevista ao Divinews, disse que o encontro fortalece a saúde pública e movimenta a economia da cidade. Ele declara: “Todo evento que chega na cidade é bem-vindo porque movimenta o setor hoteleiro e alimentício”.
O secretário-executivo do CIS-URG, José Márcio Zanardi, também ouvida pela reportagem, destaca a representatividade do encontro. Ele explica que Minas Gerais abriga o maior número de consórcios do país e reforça que o evento não usou verbas públicas. Afirma: “Não gastou um centavo de recurso público. Tudo com patrocinadores que já prestam serviços ou têm interesse em prestar”.
Marco Aurélio, alvo central da fala agressiva de Gleidson, manteve postura institucional. Explicou que o encontro trouxe divisas para a cidade, lotou hotéis, fortaleceu o comércio e reafirmou: “Não existe um centavo de recurso público aqui dentro. Se existisse, eu não estaria presente”.
A situação, que já era delicada, ganha novo capítulo horas após o evento. O prefeito publicou em seu Instagram o vídeo da própria fala. Na legenda, tenta justificar sua postura por meio de uma analogia religiosa. Escreveu: “Qual quer semelhança é mera coincidência da passagem da Bíblia entre Jesus e os fariseus no templo”. Em seguida, cita o versículo bíblico Mateus 23:3, grafado errado como “Matheus”, (o da Biblia, não tem TH) e adiciona: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos Céus diante dos homens!”
A passagem bíblica citada suscita uma reflexão que especialistas em hermenêutica e psicologia consideram emblemática. O trecho é uma crítica à hipocrisia dos fariseus, que ensinavam a lei, mas não praticavam o que pregavam. A interpretação psicológica associada ao versículo destaca o fenômeno da projeção. Quando alguém atribui ao outro características negativas, frequentemente está descrevendo aspectos de si mesmo.
O entendimento bíblico clássico explica que Jesus reconhecia a autoridade dos mestres da lei, mas condenava o comportamento contraditório. Eles ensinavam corretamente, porém viviam em incoerência moral. O contraste entre discurso e prática define o conceito denunciado por Jesus. Essa lógica interpretativa, aplicada ao episódio, ilustra o comportamento apresentado por Gleidson no encontro.
Nos diálogos internos do evento e na avaliação de participantes vindos de diversas regiões, a fala do prefeito se converte em símbolo de desequilíbrio político e desrespeito institucional. A presença de líderes de várias áreas da saúde pública entre outros segmentos, saneamento, iluminação e gestão consorciada transforma o encontro em um ambiente de cooperação. A postura adotada pelo prefeito destoou amplamente desse propósito.
Também sob reservas, com receio da imprevisibilidade do comportamento de Gleidson, participantes de outros municípios ouvidos pelo Divinews fizeram avaliações duras sobre a postura adotada no encontro. Entre as classificações, citaram que o prefeito agiu de forma “arrogante”, gerando uma situação descrita como “horrorosa”, afirmando ainda que esteve no local apenas para “lacrar”. A crítica mais severa veio de um gestor visitante, que resumiu o comportamento como “tem distúrbio mental de poder esquizofrênico, à beira da loucura”, expressão que sintetiza o desconforto causado por sua atuação em um ambiente que exigia equilíbrio institucional.
Entrevista – Marco Aurélio (CISVI)
Entrevista – Deputado Eduardo Azevedo
Entrevista – José Márcio Zanardi (CIS – URG)
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