A identificação de exemplares do caramujo africano em diferentes bairros de Divinópolis acendeu um alerta para possível infestação no município. O período chuvoso aliado às altas temperaturas favorece a proliferação da espécie, que encontra condições ideais para reprodução e dispersão, exigindo atenção redobrada da população.
A Vigilância Ambiental de Divinópolis informou que tem reforçado as orientações preventivas diante do aumento de registros do molusco em áreas urbanas. Segundo o órgão, o calor e a umidade criam ambiente propício para a reprodução do animal, que se adapta com facilidade a quintais, terrenos baldios e locais com acúmulo de entulho.
Conhecido cientificamente como Achatina fulica, o caramujo africano é um molusco de grande porte que provoca impactos ambientais e pode representar riscos à saúde pública. A espécie se alimenta de diferentes tipos de vegetação, prejudicando plantas nativas e cultivadas e competindo com espécies brasileiras.
A Vigilância Ambiental orienta que a população evite contato direto com o animal sem proteção. Caso seja necessário realizar a remoção, recomenda-se o uso de luvas ou sacos plásticos para proteger as mãos. Após a coleta, é indicada a maceração do molusco e o descarte adequado, evitando deixá-lo exposto no ambiente.
Além dos danos ambientais, o caramujo pode atuar como hospedeiro de vermes capazes de provocar doenças em humanos, como meningite eosinofílica e enterite eosinofílica. A contaminação pode ocorrer pelo contato com larvas presentes no muco do animal ou em alimentos contaminados.
Entre as principais medidas preventivas está a higienização correta de alimentos consumidos crus, como verduras, legumes, frutas e hortaliças. A recomendação é lavar bem os alimentos e deixá-los de molho por 30 minutos em solução preparada com uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água, seguida de enxágue em água corrente, reduzindo o risco de contaminação.
Espécie exótica originária do continente africano, o caramujo foi introduzido ilegalmente no Brasil no fim da década de 1980, com a tentativa de substituir o escargot na culinária. A experiência fracassou e o molusco se espalhou pelo país. Ele pode viver de cinco a seis anos e apresenta alta capacidade reprodutiva, pois é hermafrodita e pode realizar posturas com cerca de 200 ovos mais de uma vez ao ano.
Os ovos possuem coloração branco-amarelada e costumam ficar parcialmente enterrados no solo, o que dificulta a identificação imediata. O animal pode atingir até 15 centímetros de comprimento e possui concha marrom escura com ponta alongada e abertura com bordas afiadas, característica que o diferencia do caracol nativo brasileiro do gênero Megalobulimus.
A Vigilância Ambiental de Divinópolis reforça ainda a importância de manter quintais limpos, retirar entulhos, folhas acumuladas e objetos que possam servir de abrigo. O descarte correto das conchas após a eliminação dos caramujos também é fundamental para evitar acúmulo de água parada, o que pode contribuir para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
O órgão destaca que a colaboração da população é essencial para conter o avanço da espécie e reduzir riscos à saúde e ao meio ambiente no município.
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