A vereadora Kell Silva (PV) e a deputada estadual Lohanna França (PV) voltaram ao centro do debate público em Divinópolis após a publicação do Decreto nº 17.131/26, que autoriza o repasse de R$ 8 milhões em subsídio ao Consórcio Transoeste, responsável pelo transporte coletivo no município.
As parlamentares reforçam que não se opõem ao subsídio em si, mas questionam de forma direta a ausência de transparência, de contrapartidas concretas e de melhorias reais no serviço, mesmo diante do alto volume de recursos públicos transferidos à concessionária.
Segundo elas, a Prefeitura escolheu sustentar financeiramente um contrato fragilizado, enquanto a população segue enfrentando um sistema precário e cada vez mais instável.
Ônibus lotados, frota antiga e serviço em colapso
Apesar do repasse milionário, o cotidiano de quem depende do transporte coletivo continua marcado por ônibus superlotados, cortes de linhas, frota envelhecida, pontos sem cobertura, falhas constantes no aplicativo, além do acúmulo de funções por motoristas e ameaças recorrentes de paralisação.
Para Kell e Lohanna, esse cenário evidencia uma gestão ineficiente do contrato e a incapacidade do Executivo municipal de exigir resultados mínimos da concessionária.
O decreto, assinado pelo prefeito Gleidson Azevedo (Novo), prevê o pagamento de quatro parcelas mensais de R$ 2 milhões, sob a justificativa de custear gratuidades e evitar reajuste na tarifa. No entanto, na avaliação das parlamentares, a medida apenas posterga o problema e mantém a cidade refém de um sistema que não entrega qualidade.
“Divinópolis virou refém de um contrato mal feito”
Kell Silva classifica a relação entre Prefeitura e concessionária como um ciclo de chantagem institucional, no qual a população sempre sai perdendo.
“Isso virou um jogo de chantagem. A empresa ameaça não pagar funcionários ou parar a cidade. A prefeitura libera milhões e diz ao povo: ‘ou pagamos, ou a passagem aumenta’. Isso é ser refém de um contrato mal feito, que só será rediscutido em 2027. Estão dando fôlego para uma empresa que presta um serviço horrível e deixando a população como vítima dessa história”, afirmou.
As parlamentares também criticam a ausência de renegociação contratual, mesmo diante do histórico de problemas e do crescimento contínuo dos subsídios públicos.
Transporte como direito: educação, cultura e acesso à cidade
Ao contrário da lógica atual, Kell Silva defende que o transporte público cumpra uma função social clara, garantindo acesso à educação, à cultura e à cidade.
Em 2025, por solicitação da vereadora, a Prefeitura autorizou passagem gratuita para estudantes no dia do ENEM, medida que ampliou o acesso ao exame e demonstrou que o recurso público pode gerar impacto positivo quando bem direcionado.
Mais recentemente, Kell também apresentou pedido para gratuidade no transporte durante o Pré-Carnaval, assegurando o direito à cultura, ao lazer e à mobilidade, especialmente para moradores das periferias.
Outra bandeira histórica compartilhada pelas parlamentares é a implantação do passe livre estudantil permanente, inexistente em Divinópolis e que afeta diretamente estudantes do ensino fundamental, médio e universitário que percorrem longas distâncias diariamente.
Ataque misógino desvia foco do debate público
Em reação às críticas, o prefeito Gleidson Azevedo publicou um vídeo nas redes sociais no qual, além de tentar desqualificar o debate, insinuou que Kell Silva e Lohanna França seriam “bruxas”, em tom de deboche.
A fala gerou forte repercussão e foi classificada como ataque misógino, desrespeitoso e incompatível com o cargo, provocando indignação entre lideranças políticas e setores da sociedade civil.
Para as parlamentares, a tentativa de ironização revela despreparo para lidar com críticas legítimas e busca deslocar o foco do debate, que deveria estar centrado no interesse público.
“O debate precisa ser sobre transporte digno, uso responsável do dinheiro público e respeito à população — não sobre ataques pessoais ou desqualificação de mulheres que exercem seu mandato com seriedade”, afirmou a assessoria.
Além das declarações públicas, Kell e Lohanna também se manifestaram por meio de postagens em suas redes sociais, reforçando a crítica ao discurso adotado pelo chefe do Executivo.
Compromisso com fiscalização e respeito à população
Mesmo diante dos ataques, Kell Silva e Lohanna França reafirmam que seguirão atuando de forma firme e responsável para garantir:
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transparência no uso dos recursos públicos;
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contrapartidas claras da concessionária;
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fiscalização rigorosa do transporte coletivo;
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respeito aos trabalhadores do setor;
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políticas públicas que coloquem o cidadão no centro das decisões.
Kell Silva retornou oficialmente às atividades legislativas na última segunda-feira (19), após quatro meses de licença-maternidade, e já retomou a atuação ativa em pautas estruturantes para a cidade.
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