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Minas: Feminicídio com farsa de acidente na MG-050; criminoso usa corpo da vítima ao volante e é desmascarado no pedágio

O que parecia um acidente rodoviário na MG-050, no início da manhã de domingo, 14, se revelou um feminicídio com grau de frieza que chocou até investigadores experientes. Um homem, companheiro da vítima apresentou a ocorrência como colisão comum, mas a perícia, os depoimentos e as imagens do pedágio desmontaram a versão e expuseram uma sequência de agressões, simulação e desfaçatez. Além disso, o autor ainda teve a ousadia de comparecer ao velório da vítima, em Divinópolis, como se nada tivesse acontecido, enquanto familiares tentavam entender a morte apresentada, naquele primeiro momento, como consequência do acidente.

O relato do delegado: brigas em Belo Horizonte, sangue no apartamento e violência no carro.

O delegado responsável pelo inquérito, João Marcos Amaral reconstruiu a noite anterior ao crime. Segundo depoimento do próprio autor, o casal tinha um relacionamento marcado por brigas. No sábado, os dois passaram o dia em uma festa em Belo Horizonte, consumiram álcool e discutiram diversas vezes.

Depois, seguiram para o apartamento. Lá, a violência escalou. O rapaz afirmou que tentou se defender de agressões da companheira e acertou o rosto dela. O golpe provocou sangramento no nariz. Ele contou que usou lenços umedecidos para limpar os respingos de sangue na sala, próximo ao sofá, num movimento claro de tentativa de apagar vestígios.

Ainda segundo o depoimento, o casal dormiu e, na manhã seguinte, saiu cedinho com destino a Divinópolis. A versão dele aponta que o restante da tragédia ocorreu já dentro do carro, durante o trajeto pela MG-050, depois de passar por Joatuba. Nesse trecho, o veículo parou duas vezes.

O autor relatou que a vítima conduzia o carro e que, em meio a novas discussões, ela teria iniciado agressões contra ele. Ele disse que saiu do banco do carona e a empurrou com força contra a coluna do veículo, comprimindo o pescoço da jovem. Na primeira vez, ela não desmaiou. Na segunda, segundo o próprio depoente, pouco antes do pedágio, ele bateu a cabeça dela com mais força no veículo e apertou o pescoço do lado direito até que ela ficasse inconsciente.

A partir daí, ele assumiu a direção, mas não pelo banco do motorista. Continuou no banco do carona, esticando o corpo e conduzindo o veículo com o pé no acelerador, enquanto a jovem permanecia caída no banco ao lado, ou seja como motorista.

Questionado sobre o motivo de não ter trocado de assento, ele respondeu que não queria “mexer no corpo”. A explicação reforçou a suspeita de que ele já entendia a gravidade do que tinha acontecido.

Imagens do pedágio e a funcionária que estranhou tudo.

O elo que derrubou a versão de simples acidente surgiu no pedágio. As câmeras registraram uma cena absolutamente fora do normal. O carro se aproximou com a vítima completamente imóvel no banco do motorista, enquanto o rapaz, no banco do carona, conduzia o veículo, se esticando para alcançar o volante e o pedal.

A funcionária do pedágio percebeu imediatamente que algo estava errado. O rapaz suava em excesso, demonstrava nervosismo evidente e, mesmo assim, tentou sustentar que a jovem apenas passava mal por “queda de pressão”. A atendente se ofereceu para acionar socorro e pediu que ele parasse o carro à frente, a fim de que a moça recebesse atendimento.

Ele disse que pararia, mas acelerou e seguiu viagem, sem parar onde combinara. A atendente ainda notou que o condutor improvisado estava tão nervoso que chegou a esquecer o troco, precisando ser chamado de volta.

Diante da situação atípica, a funcionária comunicou o superior, que repassou as imagens à Polícia Civil. Um policial militar teve acesso ao vídeo e levou as informações à família da vítima durante o velório. A partir dessa iniciativa, a versão de acidente começou a ruir e as diligências se intensificaram.

Delegado-chefe: “em 24 anos, nunca vi alguém conduzir assim”

O chefe do 7º Departamento da Polícia Civil, delegado Flávio Destro, classificou o caso como absolutamente atípico. Ele destacou que, em 24 anos de carreira, nunca tinha visto alguém conduzir um veículo pelo banco do passageiro, com a pessoa no banco do motorista desacordada.

Segundo Destro, as imagens do pedágio já indicavam, de imediato, que havia algo muito mais grave do que um simples acidente. O quadro se confirmou com as diligências, os exames periciais e o próprio depoimento do autor, que, embora não tenha confessado o feminicídio de forma integral, admitiu diversas agressões.

O delegado lembrou que o investigado relatou ter batido a cabeça da vítima várias vezes contra partes internas do veículo e comprimido o pescoço com a mão direita. A perícia médico-legal encontrou justamente lesões compatíveis com esse tipo de constrição, além do traumatismo craniano.

Para Destro, os indícios são muito fortes de que a jovem já estava morta quando ocorreu o acidente de trânsito. Ainda existem exames complementares em andamento, mas o conjunto probatório já justificou a lavratura do flagrante e a manutenção da prisão.

O autor tentou sustentar que agiu para se defender de agressões da vítima. A versão, entretanto, não se sustenta diante da brutalidade dos atos e da sequência de decisões tomadas por ele, que vão desde a limpeza do sangue no apartamento até a simulação da direção no pedágio e o prosseguimento da viagem como se nada tivesse acontecido.

O que diz o legista: morte não veio do acidente

O médico-legista Rodolfo Elias Martins Sibeiro explicou os principais achados dos exames. No primeiro exame, a equipe identificou duas lesões na região frontal da cabeça e escoriações nos antebraços, além de hemorragia cerebral, compatível com traumatismo cranioencefálico.

Posteriormente, o corpo passou por revisão mais aprofundada. Os peritos examinaram a região posterior e mais profunda do pescoço e encontraram sufusão hemorrágica, um sangramento disseminado fora dos vasos, típico de compressão cervical externa.

Essa lesão, localizada no lado direito do pescoço, não é compatível com acidente de trânsito, sobretudo porque fica do lado oposto ao cinto de segurança. Para o legista, o padrão é muito sugestivo de estrangulamento com a mão, exatamente como o autor descreveu no depoimento.

O médico afirmou que tanto o traumatismo craniano quanto a asfixia por constrição podem ter causado a morte, inclusive de forma combinada. No entanto, ele foi categórico ao dizer que a morte não decorreu do acidente em si.

Sobre o tempo de óbito, o legista avaliou que a jovem já poderia estar morta havia até cerca de duas horas antes da colisão. Pequenas variações de horário são difíceis de precisar, mas o cenário reforça a suspeita de que o acidente foi apenas o capítulo final de uma sequência violenta já consumada.

A desfaçatez que chegou ao velório e a dor da família

Além da farsa na estrada, outro aspecto que revolta familiares e causa perplexidade nos investigadores é o comportamento do acusado após o fato. Mesmo ciente do que havia acontecido dentro do apartamento e do veículo, ele se apresentou como companheiro enlutado e esteve no velório da vítima.

Enquanto parentes tentavam lidar com a suposta tragédia rodoviária, o autor atuava como se fosse apenas mais um atingido pela fatalidade. As imagens do pedágio e o cruzamento de informações da polícia desmontaram essa encenação e expuseram um feminicídio com requintes de hipocrisia.

O caso reúne uma escalada de violência doméstica, tentativa de limpeza de vestígios, agressões sucessivas dentro do carro, uso do próprio corpo da vítima como parte de uma farsa de direção e até a presença no velório, em postura de falso enlutado.

Agora, a investigação avança com análise de imagens do prédio em Belo Horizonte, para verificar se a vítima saiu do apartamento consciente ou já em condição alterada. O objetivo é definir com precisão o local exato em que se consumou o feminicídio.

Enquanto isso, o processo passa a simbolizar não apenas mais um crime contra mulher, mas também um retrato cruel de cálculo e frieza. O acidente na MG-050 serviu como cortina de fumaça. A apuração policial e o trabalho da perícia, somados à atenção da funcionária do pedágio, romperam essa cortina e revelaram a verdade por trás do volante.

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