Sim, sou da turma da rua. Como assim turma da rua? Sim, aqueles que eram vizinhos e muito mais que parentes, dividiam as grandes aventuras.
Quem nasceu na nossa época sabe bem o que é isso: seu vizinho era uma parte da sua família. Aliás, em muitos casos, bem mais que isso, pois participava de tudo.
Somos da geração em que brincar na rua fazia parte da nossa história. Rodar de casa em casa era uma coisa normal, e sabíamos de tudo de todos, e isso era uma coisa mágica.
A coisa era tão participativa que, no final da tarde, era costume sentar no passeio e tricotar com a vizinhança, enquanto a meninada brincava pra valer.
Não existia o poderoso celular, e os telefones fixos eram poucos. Quem tinha sempre estava emprestando para os outros. Lembro-me de, lá em casa, receber telefonemas pedindo para dar recados para os vizinhos, e estes, quando recebiam, vinham dar o retorno. Só não podia ser interurbano, ligação para outra cidade, pois era caríssimo, kkk.
A coisa era feita por faixas de idade. Minha turma, por exemplo, era a moçada da minha idade, e ali vivíamos tudo juntos.
Estudávamos todos na mesma escola estadual, a única de primeiro grau. Depois acontecia a separação: o Instituto Nossa Senhora do Sagrado Coração era só de meninas, e os meninos iam para o Colégio São José e São Geraldo, onde podia também ter meninas, mas as salas eram separadas. Ainda existia o Colégio Estadual, que era misto, tinha o Colégio Frei Orlando e o Leão XIII.
Mas a coisa boa era a vizinhança. A cidade era pequena e todo mundo sabia da vida de todo mundo.
Naquela época era muito normal nascer criança de sete meses, pois os casamentos eram rápidos e as moças já casavam e voltavam grávidas da lua de mel, kkk, e ninguém falava nada, kkk.
Mas que delícia era a liberdade de brincar de pique na rua, rouba-bandeira, queimada, e simplesmente se sentar no passeio e jogar conversa fora, até a mãe dar um berro dizendo para entrar, tomar banho, jantar e dormir.
E, no outro dia, começar tudo de novo, sabendo das notícias pelo rádio, pelos jornais e, mais tarde, pelo Jornal Nacional.
Naquela época parecia que até as notícias e os acontecimentos chegavam no tempo e na hora certa.
Tempo, tempo, tempo era o senhor do universo e rodava da maneira que precisava… Saudade dessa época de ouro…
E o melhor: a internet, o celular, o computador e toda tecnologia não fizeram falta alguma…
Amnys Rachid
@amnysinho_rachid
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