Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o Sistema Comércio celebra a participação feminina, que se consolidou como a mola propulsora do varejo nacional em 2026. Um levantamento inédito do Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG revela que as mulheres formam um contingente de aproximadamente 790 mil trabalhadoras apenas em Minas Gerais. De acordo com os dados, elas dominam a linha de frente do setor, representando 85,5% dos operadores de caixa e 65,7% dos atendentes de farmácias. Nesse sentido, o estudo reforça que o público feminino ocupa o “coração” da atividade comercial, sendo responsável pela experiência direta com o cliente.
Dessa maneira, embora a base da pirâmide seja majoritariamente feminina, o topo ainda apresenta disparidades significativas. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), a participação das mulheres em cargos de diretoria e gerência estagnou em 45,4%. Vale ressaltar que em funções específicas, como gerência de supermercados, esse número é ainda menor, não atingindo metade das vagas disponíveis. Dessa forma, o desafio para o ano de 2026 permanece sendo a quebra do “teto de vidro”, permitindo que a competência demonstrada no atendimento se converta em oportunidades reais de comando.
O panorama do empreendedorismo e a sobrecarga familiar
Além disso, a pesquisa mergulhou na dinâmica das empresárias que decidiram abrir o próprio negócio no estado. Os números são impressionantes: para 93,79% das entrevistadas, o empreendimento é a principal fonte de renda, e quase 60% delas são as únicas provedoras financeiras de suas famílias. Contudo, a jornada é marcada por obstáculos estruturais. Consequentemente, o acesso restrito a recursos financeiros (35,1%) e a sobrecarga com responsabilidades domésticas (11,5%) aparecem como as principais barreiras que impedem o crescimento desses negócios.
Falta de redes de apoio e mentoria
Durante o levantamento, um dado alarmante chamou a atenção dos pesquisadores: 91% das empresárias informaram não possuir acesso a redes de apoio, grupos de networking ou mentorias voltadas para mulheres. Embora o empreendedorismo feminino avance em representatividade, a solidão na gestão ainda é uma realidade. Dessa forma, as principais dificuldades relatadas hoje incluem a contratação de mão de obra qualificada e a gestão de equipes em um mercado cada vez mais competitivo. Afinal, sem suporte institucional, a escalabilidade desses negócios torna-se um processo muito mais lento e doloroso.
Programa “Fé Nelas” e a capacitação em 2026
Para mitigar esses gargalos, a Fecomércio MG promove, no dia 07 de abril, o evento presencial Programa Fé Nelas, no Sesc Palladium, em Belo Horizonte. A iniciativa visa criar conexões e oferecer capacitação técnica para mulheres em diversas fases da carreira, desde microempreendedoras até mulheres com mais de 50 anos em transição profissional. Vale destacar que o encontro abordará temas cruciais, como a segurança feminina e a gestão de alta performance, contando com palestrantes renomadas e lideranças da Polícia Civil e da PMMG.
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