O Dia Mundial do Combate ao Câncer de Próstata, celebrado neste domingo (17), reacende em todo o país a discussão sobre prevenção, autocuidado e, principalmente, a urgência do diagnóstico precoce da doença que mais atinge homens no Brasil. Em Divinópolis, a data ganhou um peso ainda maior após o urologista da Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (Acom), Dr. Denny Veloso, afirmar que o maior obstáculo atual não é mais tabu ou desinformação, mas sim o medo.
A data marca também o início oficial do Novembro Azul, campanha criada na Austrália em 2003 e que se tornou o maior movimento mundial de conscientização sobre saúde masculina. O alerta chega em um momento decisivo, já que dados do Ministério da Saúde apontam que os atendimentos de câncer de próstata em homens de até 49 anos cresceram 32% entre 2020 e 2024, passando de 2,5 mil para 3,3 mil procedimentos no SUS. O INCA estima 71,7 mil novos casos em 2025, consolidando o tumor como o tipo de câncer mais comum entre homens, atrás apenas do câncer de pele.
Em Divinópolis, segundo o urologista, o comportamento local segue exatamente o cenário nacional. Ele explica que, até pouco tempo, o principal problema era a falta de orientação. Hoje, porém, a realidade mudou.
“Encontramos uma resistência movida pelo medo. Medo do diagnóstico, medo de investigar, medo de enfrentar a possibilidade da doença. Porém, quando conseguimos um diagnóstico precoce, as chances de cura ultrapassam 90%. Nosso maior inimigo hoje é o medo, não o exame”, afirma o médico.
Sintomas e sinais de alerta
O INCA reforça que o câncer de próstata costuma evoluir silenciosamente. Nos estágios iniciais, a maioria dos pacientes não apresenta sintomas. Quando surgem, podem incluir dor ao urinar, sangue na urina ou no sêmen, dor pélvica, desconforto lombar, alterações na frequência urinária, disfunção erétil e, em raros casos, dor óssea.
A confirmação da doença ocorre por biópsia, indicada quando exames como o PSA (sangue) ou o toque retal apontam alguma alteração. Segundo o Dr. Denny, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia estabelecem que os exames devem começar aos 50 anos. Para homens com histórico familiar, aos 45; e, para grupos de maior risco, aos 40.
“Se esperar sintomas, já está errado. É voltar à década de 1970, quando a doença só aparecia em estágio avançado. O diagnóstico deve vir antes de qualquer sinal clínico”, reforça.
Toque, PSA e coragem
O médico explica que o toque retal ainda causa receio em muitos homens, mas ele lembra que nem todos precisam passar por ele, enquanto o exame de PSA é praticamente obrigatório para todos.
“A investigação passa pelo toque e pelo PSA, mas sobretudo pelo enfrentamento do medo. Precisamos quebrar esse bloqueio para salvar vidas”, enfatiza.
Cuidado o ano inteiro
O Novembro Azul chama atenção para o autocuidado, mas o urologista destaca que o compromisso precisa durar o ano todo.
“Se não deu pra fazer o exame em novembro, faça em março, no aniversário, ou quando puder. O importante é não abandonar a própria saúde”, conclui.
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