O crescimento do Carnaval de Belo Horizonte não movimenta apenas foliões e turistas. A festa também abriu espaço para novos negócios, especialmente na economia criativa. Natural de Viçosa, na Zona da Mata mineira, a empresária Paula Lobato enxergou no evento uma oportunidade concreta de transformar criatividade em empreendimento e consolidar sua marca de moda autoral, a TMarket.
Desde 2016, quando começou a trabalhar com a produção de pochetes, Paula acompanhava de perto a consolidação do Carnaval de BH como um dos maiores do país. Com o avanço dos blocos de rua e a ocupação criativa dos espaços urbanos, a empreendedora percebeu que existia uma demanda crescente por peças que dialogassem diretamente com a identidade local da festa.
“Não fazia sentido trazer uma moda pronta de fora. O Carnaval de Belo Horizonte tem uma estética própria, uma energia diferente. Eu quis criar peças que conversassem com isso”, explica.
Carnaval em expansão e mercado aquecido
A aposta veio em um momento estratégico. Em 2026, a expectativa é que mais de 6 milhões de foliões participem do Carnaval de Belo Horizonte, com impacto econômico estimado em mais de R$ 1 bilhão, segundo dados da Belotur. O cenário favorável reforçou a decisão de Paula de investir no desenvolvimento de coleções voltadas especificamente para o período carnavalesco.
As peças da TMarket passaram a ganhar mais brilho, cores vibrantes e modelagens pensadas para diferentes públicos — masculino, feminino e agênero. O conceito é oferecer uma base criativa para que cada folião construa sua própria fantasia, explorando combinações, acessórios e estilos únicos.
Programa do Sebrae marca ponto de virada
Um dos momentos decisivos na trajetória da marca foi a participação no programa Minas Moda Autoral, do Sebrae Minas, no ano passado. A iniciativa contribuiu para o amadurecimento do negócio, ajudando a empresária a compreender melhor o posicionamento da marca no mercado da capital.
“O programa trouxe aprendizados muito práticos, desde leitura de calendário comercial até ajustes na modelagem e aplicação das peças. Consegui enxergar com mais clareza como a marca poderia crescer em Belo Horizonte e aproveitar melhor o potencial do Carnaval”, destaca Paula, que divide a operação com a sócia Larissa do Valle.
Blocos de rua como laboratório criativo
Para a empreendedora, os blocos de rua funcionam como verdadeiros laboratórios de criação. É nesse ambiente que surgem referências, combinações e novas formas de expressão que influenciam diretamente o desenvolvimento das coleções.
“O Carnaval permite ousar. Os blocos criam possibilidades de explorar cores, volumes e harmonias diferentes. É um espaço de liberdade criativa que estimula a inovação”, afirma.
Hoje, Paula vê o Carnaval de Belo Horizonte em outro patamar, comparável aos grandes eventos de Salvador e Rio de Janeiro. Segundo ela, esse crescimento amplia não apenas as oportunidades para sua marca, mas para toda a cadeia da economia criativa ligada à festa.
Impacto positivo para o comércio e a economia criativa
Pesquisa do Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio-MG aponta que 65,8% dos empresários do comércio varejista avaliam o impacto do Carnaval como positivo para seus negócios. Entre os fatores mais citados estão o aumento do movimento nas lojas e a maior circulação de turistas e moradores pela cidade.
Além de bares e restaurantes, o evento impulsiona setores como vestuário, calçados, hotelaria, transporte, entretenimento, cultura e turismo. Em todo o estado, o Carnaval se consolida como uma oportunidade estratégica para empreender, gerar renda extra e fortalecer marcas autorais.
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