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Pretexto perfeito: Classificar PCC e CV como organizações terroristas para invadir Brasil com apoio da direita; Sheherazade aponta risco geopolítico ao país

Em política internacional, o que parece exagero num dia pode virar pauta oficial no outro. Um ensaio assinado pela jornalista Raquel Sherazade colocou o Brasil no centro de um alerta incômodo: a disputa entre Estados Unidos e China pode empurrar pressão externa para cima de países estratégicos, e o Brasil entra nessa lista pelo tamanho do mercado, pelas exportações e, sobretudo, pelas chamadas terras raras – O ensaio da jornalista Raquel Sheherazade, se encaixa perfeitamente ao sonho da direita brasileira, que apoia Trump em seu devaneio em tornar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital – PCC e Comando Vermelho – CV, em organizações terroristas. Somente para legitimar aos olhos do mundo uma invação armada ao Brasil, e com isso inteferir diretamente na política interna do país. 

O texto desenha uma guerra de bastidores. Os Estados Unidos, segundo a análise, evitam confronto direto com a China por razões óbvias, poder militar e dissuasão nuclear. Em vez disso, tentam estrangular o rival por caminhos indiretos, apertando países que abastecem o gigante asiático com petróleo, minérios e commodities.

Dentro dessa lógica, o Brasil vira alvo cobiçado. A análise lista exportações como soja, minério e carne, e destaca que o país concentra uma das maiores reservas de terras raras, insumos vitais para tecnologia, energia e indústria militar. O argumento vai além da economia. Ele aponta vulnerabilidade estratégica, um país rico em recursos, mas sem capacidade de dissuasão equivalente, o que o torna suscetível a embargos, chantagens comerciais e interferência política.

A parte mais sensível do ensaio aparece no “como”. A tese não aposta em justificativas clássicas, ditadura, teocracia, armas de destruição em massa. Ela aposta em pretexto. E o pretexto sugerido é o combate ao narcotráfico, com a possibilidade de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas, criando terreno político para medidas de força sob o discurso antiterrorismo.

Esse raciocínio divide opiniões, mas cumpre um papel. Ele provoca o debate sobre soberania em um momento em que a geopolítica deixou de ser assunto de gabinete e virou disputa de vida real, tarifa, tecnologia, indústria e alinhamento comercial.

Grifo nosso

Nos últimos dias, um fato concreto adicionou combustível político ao debate, mesmo sem aparecer no ensaio original. Um assessor do governo Trump, Darren Beattie, ligado à formulação de políticas dos Estados Unidos para o Brasil, pediu para visitar Jair Bolsonaro, que cumpre pena em Brasília. A autorização judicial para a visita saiu dentro das regras do sistema prisional, com data e horário definidos.

O gesto tem peso simbólico e diplomático. Um emissário estrangeiro busca contato com um ex-presidente preso, no meio de uma disputa global e de um ambiente interno já tensionado. Isso não prova tese de intervenção, nem cria automaticamente uma crise de soberania. Mas acende radar. Em diplomacia, visita também fala. Às vezes fala mais do que nota oficial.

O ponto que preocupa analistas não é a conversa em si. É o recado que ela pode produzir, tanto para o público interno, quanto para a arena internacional. Em um cenário de polarização, qualquer gesto externo vira munição, para denunciar perseguição, para alimentar teoria de cerco, ou para tentar pressionar instituições brasileiras.

O Brasil, nesse contexto, precisa agir com dois cuidados ao mesmo tempo. Não pode rir do assunto como se fosse folclore. Também não pode entrar em pânico e virar refém de narrativas. O caminho mais inteligente é o de Estado, transparência institucional, firmeza diplomática, leitura estratégica do tabuleiro e proteção da soberania com serenidade.

A discussão levantada pelo ensaio, somada ao gesto do assessor americano, joga luz sobre um risco real. O país não escolhe quando vira peça de xadrez. Mas escolhe como se posiciona quando percebe o tabuleiro. E, em 2026, tudo indica que o tabuleiro está bem mais perto do Brasil do que muita gente gostaria de admitir.

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