A sucessão ao governo de Minas Gerais neste inicio de 2026 começou a se mover nos bastidores com mais intensidade por todos os principais atores envolvidos declaradamente ou não, ao governo de Minas. Após um encontro articulado pelo empresário Rubens Menin, que levou o presidente da Federação das Industrias de Minas Gedrais, Flávio Roscoe, a tiracolo para uma conversa com o senador Cleitinho Azevedo. Segundo fonte ouvida pelo Divinews, a pauta da reunião teria sido as disputas silenciosas dos bastidores, reposicionamentos políticos e testes de força dentro do campo da direita conservadora mineira. Envolvendo possíveis pré-candidaturas, alianças estratégicas e o papel de grandes grupos econômicos na construção do tabuleiro eleitoral.
O encontro, na verdade foi realizado na última segunda-feira (20), longe dos holofotes oficiais, e até então não divulgado pelos grandes meios de comunicação, nem mesmo a Itatiaia, que pertence ao próprio Menin. Segundo a mesma fonte com trânsito direto entre lideranças políticas e empresariais, o senador Cleitinho Azevedo foi convidado pelo empresário Rubens Menin, que o avisou que, com ele estaria também o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe.
Durante o diálogo, ainda segundo a tal fonte, Flávio Roscoe disse ao senador que intensiona entrar de fato na política partidária se apresentando como pré-candidato ao Governo de Minas, mas teria condicionado sua intenção em ser cabeça de chapas, a dois cenários: no primeiro, caso o deputado federal Nikolas Ferreira decida disputar o Palácio Tiradentes, Roscoe se colocaria como opção para compor a chapa como vice. No segundo, caso Nikolas não entre na disputa, o presidente da Fiemg afirmou que avaliaria filiação ao PL para ser cabeça de chapa, com seu próprio nome na disputa ao governo de Minas.
Como até o prazo final, conforme o calendário eleitoral ainda está muito distante, foi marcado entre eles uma nova rodada de conversas para o final de fevereiro, quando o cenário político mineiro poderá estar um pouco mais claro, mas não a ponto de tomadas de decisões, só mais confabulações mesmo. Todos esperando o que Nikolas Ferreira pretende fazer, ou seja, se sai ou não candidato. Esse seria o grande suspense dos bastidores da política mineira, não fosse um outro que aparentemente estava sepultado, que era a decisão de Rodrigo Pacheco sair da vida pública como político. Mas ao final da última semana, Pacheco sinalizou ao seu círculo mais íntimo, que pode mudar de ideia e de partido e isso reascendeu as esperanças da esquerda, de Lula em tê-lo como candidato do PT, mesmo que em outro partido.
Convite antigo, agora levado a sério
É importante registrar que o nome de Flávio Roscoe, no passado, chegou a estar no radar de Cleitinho Azevedo. O senador já havia feito sinais e convites informais a Roscoe no passado, assim como citou outros nomes, como Luiz Eduardo Falcão Ferreira, presidente da Associação Mineira de Municipios – AMM, e prefeito do municipio de Patos de Minas; outro nome foi o do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais – ALMG, Tadeu Leite; além de Euclydes Pettersen, presidente do Repúblicanos, que teve seu nome esvaziado após o escândalo do INSS; e atualmente, já na terça-feira após reunião, o senador Cleitinho, segundo a fonte, falou também do ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), presidente da legenda em BH.
Logo não é exclusividade de Roscoe ter seu nome cogitado, no passado, para a possibilidade de se tornar vice de Cleitinho, como o dirigente da FIEMG, se arvorou em entrevista com a jornalista da Itatiaia, Edilene Lopes, em 16 de dezembro. Quando ele disse ter recebido propostas para vários cargos, todos de chapa majoritária: governo, senado e vice. Ocasião em que citou diretamente que um dos convites foi para fazer dupla com Cleitinho. “De lá pra cá, o cenário mudou”, disse a fonte ao Divinews.
O papel de Rubens Menin e a leitura dos bastidores
A presença de Rubens Menin na reunião chama atenção e gera questionamentos no meio político. A análise feita pela fonte ouvida pelo Divinews é direta: por que Flávio Roscoe precisou da “bengala” de Menin para agendar um encontro com Cleitinho, se em passado recente era o próprio presidente da Fiemg quem criava dificuldades de agenda com o senador?
Se Roscoe está, de fato, decidido a disputar o governo ou a compor uma chapa majoritária, por que essa conversa foi mediada por Menin? E mais: por que tratar de cenários que, em tese, não envolveriam diretamente Cleitinho, se o senador sequer neste momento demonstra muito entusiasmo com o nome de Roscoe? Isso por que, segundo a fonte, o divinopolitano avaliaria Flávio com fortes sinais de arrogância e prepotencia.
A resposta, segundo a análise da fonte, é que Flávio Roscoe, com o aval de Rubens Menin, também foi disponibilizar formalmente seu nome a Cleitinho, tentando reabrir uma porta política que, até pouco tempo atrás, não era prioridade para Roscoe. O pedido de agenda, com a fala de Flávio, diz a fonte foi meio “sem pé nem cabeça, não havia razão de ser”.
A fonte disse ainda que, o possível entusiasmo de Nikolas Ferreira para disputar o governo de Minas, foi impulsionado pelos dedos direto de Flávio Roscoe, que andou com o deputado pra cima e pra baixo e vários vídeos foram gravados com os dois juntos, sobre os mais diversos temas. “Não é inteligível esse encontre de Róscoe com Cleitinho”
Preferência de Cleitinho por Tadeu Leite
A fonte diz que é claro a predileção de Cleitinho Azevedo para uma composição majoritária com o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais – ALMG, Tadeu Leite. No entanto, Tadeuzinho almeja a indicação para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).
Essa possibilidade ganha força diante do papel central desempenhado por Tadeu Leite na aprovação dos projetos mais sensíveis do governador Romeu Zema, incluindo matérias de forte resistência política. Como retribuição, Zema poderia apoiar sua indicação ao TCE, resolvendo duas frentes ao mesmo tempo: cumpre a palavra com o presidente da ALMG e, politicamente, criar fissuras na pré-campanha de Cleitinho, que é seu adversário a partir do momento que Zema lança seu vice, Mateus Simões para sentar em sua cadeira no Palácio Tiradentes.
Suposta mágoa de Flávio Roscoe
Diz a fonte que, a resistência de Roscoe em apoiar Mateus Simões, seria em consequencia de que seu nome foi preterido por Zema a favor do seu vice-governador, o Simões.
A fonte intui que Flavio teria a expectativa, por sua proximidade com o governador, que ele poderia ter tido um olhar em sua direção para o governo de Minas, e não se “enamorado” por Simões.
Cenário em aberto e xadrez em movimento
O encontro desta última segunda-feira não sela alianças, mas deixa claro que o xadrez político mineiro está em plena movimentação. Empresários, dirigentes de entidades de classe e lideranças políticas começam a se posicionar, testar nomes e medir resistências.
O que fica evidente é que ninguém se move sozinho. Em Minas Gerais, candidaturas ao governo passam, cada vez mais, por articulações que misturam poder econômico, influência institucional e cálculo eleitoral fino. E, nesse jogo, falando especificamente no campo da direita, Rubens Menin, e outros empresários e dirigentes, Flávio Roscoe, Cleitinho Azevedo, Nikolas Ferreira, Mateus Simões, surgem como peças de um tabuleiro que ainda terá muitas jogadas até 2026.
Um novo cenário se põe, e ocorreu recentemente ainda durante a elaboração desta matéria. É o aceno que o senador Rodrigo Pacheco fez ao Lula, com possibilidade de também lançar seu nome. E a já anunciada pré-candidaturas de Gabriel Azevedo, e a antiga, de Alexandre Kalil.
Quem é Rubens Menin
Rubens Menin Teixeira de Souza é um empresário brasileiro. É fundador da CNN Brasil e do Banco Inter, co-fundador e atual presidente da MRV Engenharia, proprietário da Rádio Itatiaia. É também um dos proprietários e acionista majoritário da SAF do Clube Atlético Mineiro, de Minas Gerais
Ah! A manchete
Se Nikolas Ferreira sabia previamente do encontro de Flávio Roscoe com o senador Cleitinho Azevedo, é um cenário. Porém, se o deputado federal, não teve conhecimento prévio, é outra coisa: poderia ser traíção?