Um vídeo do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) viralizou nas redes sociais nos últimos dias ao criticar uma campanha publicitária da marca Havaianas protagonizada pela atriz Fernanda Torres, lançada no início desta semana e já alvo de interpretações divergentes pelo público – O ponto focal da polêmica é que a fabricantes dos famosos chinelos, não quer que as pessoas entrem 2026 com o pé direito, e sim com os dois pés.
A peça em questão tem um tom motivacional e simbólico. No comercial, Fernanda diz:
“Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte. Mas, vamos combinar: sorte não depende de você. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés…”
A frase — que na linguagem publicitária busca transmitir ideia de entrega total e engajamento — foi interpretada por parte do público nas redes sociais como um recado ideológico. Alguns comentaristas ligados à direita política afirmaram que a mensagem era uma crítica ou provocação velada ao campo conservador, relacionando “pé direito” a uma suposta associação com a direita política.
No vídeo que viralizou, Cleitinho Azevedo se soma à onda de críticas, reproduzindo a leitura de que a campanha teria motivação ideológica e sugerindo que consumidores “de direita” deveriam boicotar a marca por conta da associação percebida. O senador compartilhou a crítica amplamente nas redes, impulsionando o debate na internet.
Tiro saiu pela culatra: efeito comercial surpreende
Ao contrário do que muitos críticos pretendiam, a repercussão acabou beneficiando a própria Havaianas em termos de visibilidade e procura pelo produto. O editor do Divinews obteve imagens de uma loja da Havaianas em Divinópolis e constatou que o movimento de consumidores estava intenso e acima do habitual. Várias pessoas circulavam pelos corredores, muitas adquirindo modelos com frequência, mesmo diante de preços que não são tradicionalmente considerados “populares”.
Esse cenário sugere que, ao invés de enfraquecer a marca, a polêmica funcionou como uma forma de propaganda espontânea e gratuita amplificada justamente pelos ataques de figuras públicas, incluindo Cleitinho. A Havaianas, por sua vez, não se manifestou oficialmente sobre a polêmica até o momento.
Preços e consumidores: boicote ou discurso incongruente?
Um ponto observado pelo Divinews na loja é que os preços de alguns modelos da Havaianas, diferencia-se de chinelos que tradicionalmente vistos como “baratos” ou acessíveis. Alguns modelos premium podem custar valores que não são facilmente acessíveis às camadas mais pobres da população.
O que chama atenção é que muitos dos internautas que clamaram por boicote são identificados politicamente como apoiadores do bolsonarismo, um grupo que, por vezes, defende movimento crítico explícito nas redes sociais, mas que, na prática e no consumo, adquire produtos que podem não estar alinhados com seu discurso. Essa aparente discrepância entre fala e prática reflete um fenômeno contemporâneo: muitos consumidores e comentaristas usam a internet para “lacrar” e buscar engajamento, sem necessariamente traduzir esse posicionamento em ação concreta de boicote ou de boicote efetivo no mercado real.
A polarização invadindo as marcas
A polêmica com as Havaianas ilustra como a política e o marketing se entrelaçam de maneira intensa no Brasil atual, sobretudo em um ano eleitoral como 2026. Mensagens publicitárias que, em outras épocas poderiam ser interpretadas simplesmente como criativas ou metafóricas, agora são lidas por alguns grupos como se carregassem posicionamentos ideológicos explícitos, mesmo quando isso não está no texto original.
Especialistas em comunicação já destacaram que campanhas com linguagem metafórica, como a de Fernanda Torres, podem gerar respostas variadas quando interpretadas sob uma lente polarizada, principalmente nas redes sociais.
Conclusão: crítica nas redes vira marketing gratuito
O episódio envolvendo Cleitinho Azevedo e a campanha da Havaianas é um exemplo claro de como o ambiente digital pode transformar uma simples peça publicitária em um objeto de disputa ideológica, mesmo quando a intenção original da marca é apolítica e focada em mensagem de fim de ano.
No fim das contas, a crítica acabou servindo para projetar ainda mais a publicidade da Havaianas com procura alta nas lojas físicas, comprovada pela reportagem do Divinews. A situação mostra que muitas vezes quem busca lacrar nas redes sociais acaba fortalecendo aquilo que pretende atacar, gerando o que alguns chamam de “mídia espontânea valiosa” para as marcas envolvidas.
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