O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Tadeu Leite (MDB), foi eleito na manhã desta quarta-feira (04) para ocupar uma cadeira de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado. A votação ocorreu em reunião extraordinária de plenário e terminou com um resultado que, na política, tem peso simbólico: 69 votos a favor e nenhum contra, em uma eleição com candidatura única.
A vaga foi aberta com a aposentadoria do conselheiro Wanderley Ávila. A candidatura de Tadeu já havia passado por análise de uma comissão especial, que emitiu parecer favorável. Agora, a Assembleia comunica o resultado ao governador Romeu Zema, responsável pela nomeação formal, etapa que fecha o rito institucional.
O ponto que mais chamou atenção no discurso do presidente da Assembleia foi a maneira como ele tentou controlar a leitura do momento. Ele afirmou que não trata a eleição como despedida, mas como agradecimento, e deixou uma promessa política clara: não pretende assumir no Tribunal de Contas antes de concluir seu mandato na Presidência da ALMG, que vai até 31/01/27. Na prática, ele sinaliza que manterá o comando da Casa e só fará a transição quando encerrar a missão atual.
No pronunciamento, Tadeu também buscou registrar um legado. Ele destacou que a experiência na liderança da Assembleia lhe ensinou a ouvir diferentes posições e construir convergência em benefício do Estado. É uma fala que ecoa o que aliados e adversários, ao longo da sessão, repetiram em coro: a capacidade de diálogo como marca da gestão.
Foi nesse tom que a 1ª vice-presidenta da ALMG, deputada Leninha, ressaltou a convivência e o papel de construção coletiva exercido por Tadeu. Outros parlamentares foram no mesmo caminho, citando calma, habilidade de negociação e disposição para buscar consenso mesmo em um plenário com diferenças ideológicas evidentes. O elogio mais recorrente foi o de que a Casa perderia uma liderança que prefere o acordo à imposição.
A eleição também foi interpretada como movimento conectado a um tema que hoje domina a pauta de Minas: a dívida do Estado. Deputados ressaltaram o comprometimento de Tadeu em ajudar a destravar caminhos para enfrentar o problema, inclusive na costura política que envolve adesão de Minas ao Propag. Ao ser eleito para o TCE, ele passa a ser visto como uma ponte institucional em um período em que controle, contas públicas e responsabilidade fiscal ganham relevância máxima.
A trajetória do presidente ajuda a entender por que ele chegou a esse patamar com votação unânime. Tadeu foi eleito deputado pela primeira vez em 2010, aos 24 anos, como o mais jovem parlamentar da história de Minas. No Legislativo, ocupou funções estratégicas, como 1º secretário da Mesa, liderança de maioria, vice-presidência da CCJ e presidência de comissão voltada ao acerto de contas entre Minas e União.
No Executivo, também carregou o rótulo de “mais jovem” ao assumir secretaria de Estado aos 29 anos. Nesse período, coordenou força-tarefa ligada à tragédia de Mariana e retomou iniciativas de regularização fundiária urbana, consolidando um perfil que transita entre articulação política e gestão.
O resultado desta quarta-feira abre uma nova etapa para o deputado, mas não muda o curto prazo da Assembleia. Ao afirmar que permanecerá na Presidência até o fim do mandato, Tadeu tenta evitar turbulência interna e sinaliza continuidade administrativa. Ao mesmo tempo, a eleição o coloca em rota para uma cadeira que costuma ter peso técnico e político, justamente por fiscalizar contas e atos de gestão.
O que se desenha é uma transição planejada: o presidente reforça a estabilidade na ALMG e, ao mesmo tempo, garante uma posição futura no Tribunal de Contas. Em um Estado onde o debate sobre finanças públicas e dívida virou tema central, o gesto não é apenas institucional. É estratégico.
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